Entre terça, 8 de setembro, e sábado, 12, eu publiquei quatro posts no Instagram que não eram notícia. Eram reflexão. Uma charge de insetos, uma frase sobre cabeça e coração, um barco e um aviso sobre ignorar a política. Os quatro terminavam do mesmo jeito: eu voto em Augusto Cury, número 70.
Post de Instagram cabe em 2.200 caracteres. Não cabe o dado, não cabe a fonte e não cabe o argumento de quem discorda. Esta matéria existe para isso. Eu pego cada uma das quatro reflexões, coloco o número que a sustenta, respondo ao contra-argumento que mais apareceu nos comentários, e no fim digo o que eu deixei de fora em todas elas.
Este texto tem opinião. Eu torço pelo Cury e não escondo. Os fatos, como sempre aqui, têm fonte, data e dono. E o que joga contra a minha opinião entra no fim, sem suavizar.
A semana em cinco números
O que os quatro posts têm em comum, e o que a curtida mostrou
Antes de entrar em cada um, um dado que é meu e que eu não vi ninguém publicar sobre o próprio perfil.
| Dia | Post | Curtidas |
|---|---|---|
| 8 de setembro | A charge dos insetos: "isso não é sobre insetos, é sobre o seu voto" | 5.856 |
| 10 de setembro | "Cabeça capitalista e coração social" | 80 |
| 11 de setembro | "O barco é o mesmo" | 1.248 |
| 12 de setembro | "Você pode ignorar a política" | 60 |
Repare na diferença. Os dois posts que falam do jeito como a gente vota, com raiva ou seguindo a manada, somaram 7.104 curtidas. Os dois que falam do candidato e das propostas, juros, imposto, programa social e participação depois da urna, somaram 140.
Eu vou voltar nisso na parte final, porque esse número conta uma história que eu não contei em nenhum dos quatro posts. Agora, um por um.
1. A charge dos insetos: votar por ódio já é ter parado de votar
Foi o post que mais rendeu na semana, e é a charge de que mais gente falou. O que eu escrevi embaixo dela foi isto:
Isso não é sobre insetos. É sobre o seu voto. Quando você escolhe alguém apenas porque odeia o outro lado, talvez já tenha deixado de votar pelo Brasil. O voto não deveria ser movido pelo menos pior, pelo medo ou pela raiva. Deveria passar por uma pergunta muito mais séria: quem eu acredito que pode melhorar a segurança, a saúde, a educação, a economia e a vida da minha família?
O dado que sustenta
Em maio deste ano, o Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, a FESPSP, fez 1.500 entrevistas presenciais com brasileiros e comparou com um levantamento igual de 2006, com 2.400 pessoas. O pesquisador é Jairo Pimentel. A pergunta era simples: o eleitor gosta de um lado e odeia o outro, ou não?
Os cientistas chamam isso de polarização afetiva. Em português de casa: é quando a pessoa torce por um time e tem raiva do outro, e a raiva é tão grande quanto a torcida.
| Como o eleitor se define | 2006 | 2026 |
|---|---|---|
| Gosta de um lado e rejeita o outro (polarização afetiva) | 19% | 31% |
| Rejeita um lado sem gostar de nenhum | 6% | 19% |
| Gosta de um lado sem rejeitar o outro | 32% | 16% |
| Indiferente | 12% | 19% |
| Gosta e rejeita ao mesmo tempo, sem lado firme | 29% | 10% |
Eleitor que se define pela rejeição, em % do total
Fonte: FESPSP, comparação entre 2006 e maio de 2026
Some as duas linhas de 2026 que começam com rejeição: 31 mais 19. Metade dos brasileiros hoje define o próprio voto primeiro pelo que não quer, e só depois, se sobrar, pelo que quer. Em 2006 esse grupo era de 25%. Dobrou em vinte anos.
O autor do estudo deu nome ao fenômeno: negativização da política. A frase dele é que ficou "mais comum rejeitar antes de aderir". Ou seja: a charge dos insetos não estava exagerando. Ela estava descrevendo metade do eleitorado.
E o eleitor sente isso na pele quando olha para os dois primeiros colocados. Na AtlasIntel com a Bloomberg, feita entre 25 e 30 de agosto com 5.014 pessoas, a pergunta era em quem você não votaria de jeito nenhum.
Rejeição a cada candidato, em %
Fonte: AtlasIntel com a Bloomberg, campo de 25 a 30 de agosto de 2026
Mais da metade do país já disse "esse não" para cada um dos dois favoritos. Ao Cury, menos de um em cada cinco. Não é o dado que faz alguém ganhar eleição, e eu explico o porquê no bloco do que joga contra. Mas é o dado que explica por que eu escolhi apoiar quem eu apoio: eu queria votar em alguém, e não contra alguém.
O contra-argumento mais comum, e a minha resposta
O que mais apareceu nos comentários foi: "votar contra é legítimo, o sistema tem dois turnos justamente para isso".
Tem razão em parte. O segundo turno existe para escolher entre dois. Lá, votar contra é a regra do jogo, e eu mesmo vou fazer isso se o meu candidato não passar.
O problema é fazer isso no primeiro turno, quando tem treze nomes na urna. Quem vota contra em 4 de outubro está entregando de graça a escolha que a Constituição deu a ele. E tem um custo que a charge mostra: quem vota só para derrubar o outro lado não cobra nada de quem elegeu, porque o objetivo já foi cumprido no dia da urna. O eleito governa quatro anos com um cheque em branco.
O grilo e a mosca
A charge tinha um segundo ponto, que quase ninguém comentou: o grilo votou em branco, a mosca nem foi votar, e os dois sofreram a consequência do mesmo jeito.
Os números do Tribunal Superior Eleitoral para o primeiro turno de 2022:
| O que fez | Quantos | Em % |
|---|---|---|
| Não foi votar | 32.765.540 | 20,95% |
| Votou nulo | 3,4 milhões | 2,82% |
| Votou em branco | 1,9 milhão | 1,59% |
Foi a maior abstenção de primeiro turno desde 1998. No segundo turno, somando quem ficou em casa com quem votou branco ou nulo, deu 37,9 milhões de brasileiros que não escolheram ninguém. Eu fiz essa conta inteira na matéria dos 37,9 milhões. A diferença que decidiu aquela eleição foi de 2.139.645 votos. O grupo do grilo e da mosca era quase dezoito vezes maior.
Aqui vai o detalhe que o grilo não sabia. Pelo artigo 77 da Constituição, o presidente é eleito por maioria dos votos válidos, "não computados os em branco e os nulos". O voto em branco não é protesto que alguém lê. Ele sai da conta. Quem vota em branco achando que está dizendo "nenhum dos dois" está, na matemática, dizendo "decidam sem mim".
2. Cabeça capitalista e coração social: o país que precisa dos dois
Esse foi o post de 80 curtidas. Eu escrevi:
Chega de polarização. O Brasil precisa de equilíbrio: diminuir os juros e os impostos para que os empresários consigam ter lucro e manter suas empresas abertas; gerar empregos; diminuir os preços no supermercado; manter os programas sociais para as famílias que enfrentam maiores dificuldades.
A frase "cabeça capitalista e coração social" é do próprio Cury, e eu já contei de onde ela vem na matéria ele é de direita ou de esquerda?. O que eu não coloquei no post foi o número. Aqui está.
O dado que sustenta
Dois números mostram o tamanho da conta que existe por trás da palavra "equilíbrio".
O primeiro é o juro. A Selic, que é a taxa que o Banco Central usa para controlar o preço das coisas, está em 14% ao ano. Estava em 15% em junho de 2025. O Banco Central já cortou quatro vezes seguidas e decide de novo nos dias 15 e 16 de setembro, terça e quarta desta semana, com o mercado esperando 13,75%.
Catorze por cento é o juro que o governo paga. O juro que chega em você é muito maior: o do cartão, o do cheque especial, o do crediário. Quando a Selic sobe, tudo isso sobe junto. O dono de loja paga mais caro para financiar o estoque, e o cliente dele paga mais caro para parcelar. Eu mostrei o efeito disso no comércio na matéria meu faturamento caiu pela metade.
O segundo número é a dívida das famílias. A Confederação Nacional do Comércio mede todo mês quantas famílias brasileiras têm alguma dívida, como cartão, carnê, financiamento ou empréstimo.
Agora junte os dois. Juro de 14% ao ano sobre uma dívida que oito em cada dez famílias carregam. Juro mais baixo interessa a quem deve, e programa social mantido interessa a quem vende para quem deve. As duas coisas aliviam a mesma casa.
O contra-argumento mais comum, e a minha resposta
O comentário que mais apareceu foi: "isso é ficar em cima do muro; não existe meio-termo, ou você é de um lado ou do outro".
A resposta está no mesmo estudo da FESPSP: 69% dos brasileiros não estão na polarização afetiva. Sete em cada dez não se encaixam no molde de torcer por um lado e odiar o outro. E a Quaest de 2 de setembro achou o mesmo grupo por outro caminho: entre os eleitores que se dizem independentes, sem lado, o Cury lidera com 24%, como eu mostrei na matéria dos independentes.
O muro existe. Só que a maioria do país não está em cima dele. Está do lado de fora, esperando alguém falar com ela sem gritar.
Tem uma segunda parte da resposta, e essa é mais dura para mim. Cortar juro, cortar imposto e manter programa social ao mesmo tempo custa dinheiro, e o plano de governo do Cury tem essas promessas sem o custo ao lado. Eu li o documento inteiro e contei o que tem número e o que não tem na matéria eu li os três planos de governo. O equilíbrio é o caminho certo. Ainda falta o preço.
3. O barco é o mesmo: quando a sua rebeldia tem dono
Foi o segundo post mais curtido, com 1.248. O trecho que mais circulou:
Votar só para contrariar outra pessoa também é deixar que ela decida por você. Quando a opinião do outro determina seu voto, até a sua rebeldia tem dono.
E tinha um pedido prático: no primeiro turno, vote em quem você acredita que tem capacidade para governar. Seu voto não precisa seguir a manada.
O dado que sustenta
O argumento contra esse post tem nome: voto útil. "Votar no Cury é jogar voto fora." Eu li essa frase quarenta vezes numa semana e fiz a conta inteira na matéria do voto fora. Aqui vai o resumo, com o número novo de sexta.
| Dado | Número |
|---|---|
| Eleitores aptos em 2026 | 158,7 milhões |
| Quanto vale 1 ponto de pesquisa | cerca de 1,2 milhão de votos |
| Cury no Datafolha de 11 de setembro | 6% |
| Flávio Bolsonaro, o segundo colocado, no mesmo Datafolha | 35% |
| Distância para a vaga do segundo turno | 29 pontos, ou cerca de 35 milhões de votos |
Não adianta suavizar: é muito. Quem diz que o voto no terceiro colocado é aposta longa está fazendo a conta certa.
Só que a mesma aritmética tem outra metade, e ela é o que sustenta o post do barco. A BTG/Nexus, em 31 de agosto, perguntou ao eleitor do Cury o que ele faria num segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Para onde vai o eleitor do Cury num segundo turno Lula x Flávio, em %
Fonte: BTG/Nexus, 31 de agosto de 2026
Leia o 29 de novo. Quase um em cada três eleitores do Cury não votaria em nenhum dos dois. Esse voto nunca foi do Flávio nem do Lula. Ele ia para o sofá. A candidatura trouxe de volta para a urna gente que tinha desistido. Chamar isso de voto jogado fora é inverter a coisa: é o único voto dessa conta que estava fora e voltou.
O contra-argumento mais comum, e a minha resposta
"Voto útil evita o pior. Se o seu candidato não tem chance, ajude a barrar quem você não quer."
Minha resposta tem duas partes.
A primeira é a regra. O primeiro turno é em 4 de outubro e o segundo, em 25 de outubro. Se ninguém passar de metade dos votos válidos, os dois primeiros disputam de novo, e você vota outra vez, em quem quiser. Votar no terceiro no dia 4 não tira de você o voto do dia 25. O voto útil, feito no primeiro turno, é um voto do segundo turno dado três semanas antes da hora, sem saber quem vai estar lá.
A segunda é a história. Desde 1989, houve seis eleições com segundo turno. Em duas delas, quem estava em terceiro a um mês da urna chegou à final: o Lula em 1989, que estava atrás do Brizola até setembro, e o Aécio Neves em 2014, que tinha 14% em 3 de setembro e terminou com 33,55%. Nas outras quatro, o terceiro ficou em terceiro. É pouco, e eu não vou fingir que é muito. Mas é o suficiente para dizer que a pesquisa de setembro não fecha a urna de outubro.
E tem a frase do post, que continua valendo: quando você vota no candidato que o vizinho mandou, para barrar o candidato que o vizinho odeia, o voto é do vizinho. Você só apertou o botão.
4. Você pode ignorar a política. Ela não ignora você
O último post, de sábado, foi o mais curto e o de menor alcance: 60 curtidas.
Você pode ignorar a política. As consequências dela não vão ignorar você. Seu voto importa. Escolha com consciência, acompanhe e cobre. A sua participação continua depois da eleição.
O dado que sustenta
Aqui o dado é sobre por que a gente para de acompanhar. E ele vem de um estudo que eu já contei inteiro na matéria dos cientistas que pagaram eleitores para falar a verdade.
Quatro professores americanos, de Yale, Texas e Califórnia, perguntaram fatos simples de política, como se o desemprego subiu ou caiu, para 626 pessoas em 2008 e para mais de 1.300 em 2012. Democratas e republicanos davam respostas diferentes para a mesma pergunta de número. Aí os pesquisadores começaram a pagar por acerto. Centavos.
O que aconteceu quando a resposta certa passou a valer dinheiro
E o detalhe que mais me marcou: quando a opção "não sei" passou a valer uns centavos, entre 46% e 50% das respostas viraram "não sei". A mesma pessoa que de graça respondia com certeza total, quando ganhava para ser honesta, admitia que não fazia ideia.
O que isso tem a ver com "acompanhe e cobre"? Tudo. Quem ignora a política não deixa de ter opinião sobre ela. Ele passa a torcer em vez de saber. E quem torce não cobra, porque cobrar exige olhar o número, e o número pode dar razão ao outro lado.
O contra-argumento mais comum, e a minha resposta
"Não adianta acompanhar. Depois da eleição, nada muda, ninguém escuta."
Dois exemplos de 2026 dizem o contrário, e os dois eu acompanhei aqui no portal.
Em abril, o Senado rejeitou a indicação do Lula para o Supremo, o Jorge Messias, por 42 a 34. Foi a primeira vez desde 1894 que o Senado disse não a um nome para o tribunal. Isso aconteceu com pressão de eleitor em cima de senador, num assunto que quase ninguém acompanhava dois anos antes.
O segundo exemplo é o contrário, e mostra o que acontece quando ninguém cobra. A proposta que limita as decisões de um ministro sozinho no Supremo, a PEC 8, passou no Senado em novembro de 2023 e na comissão da Câmara em outubro de 2024. Não andou mais. Ninguém cobrou, ninguém pautou. Eu contei essa história na matéria do 7 de Setembro.
A diferença entre os dois casos é o eleitor que continuou olhando depois de votar. Só isso.
O que eu não disse em nenhuma delas
O título prometeu isso, e aqui está.
Primeiro: o meu candidato caiu. O Datafolha divulgado na sexta, 11 de setembro, com campo de 8 a 10 e 2.002 entrevistas, tem Lula 39%, Flávio Bolsonaro 35% e Augusto Cury 6%. Na rodada anterior ele tinha 8%. A AtlasIntel de quinta deu 6,6%. Eu publiquei quatro posts pedindo voto no 70 na mesma semana em que ele perdeu dois pontos, e não escrevi isso em nenhum deles. Está escrito agora.
Tem um número que segura a minha aposta, e ele também é do Datafolha de sexta: no segundo turno contra o Lula, testado pela primeira vez pelo instituto, deu Lula 45% e Cury 43%, empate dentro da margem. Contra o Flávio, o Lula tem 46 a 44. Ou seja: o candidato de 6% no primeiro turno empata com o líder no segundo. Isso acontece porque, tirado o Flávio da conta, o voto de quem não quer Lula vai para quem sobrou. Eu expliquei essa esquisitice na matéria do segundo turno. Mas o caminho até lá passa por 29 pontos, e eu não tenho como fingir que não passa.
Segundo: a curtida foi para a briga, não para o candidato. Os dois posts que criticam o jeito como o brasileiro vota deram 7.104 curtidas. Os dois que apresentam o candidato e as ideias dele deram 140. Eu escrevi a semana inteira contra o voto por rejeição, e o que rendeu foi a rejeição ao voto por rejeição. Não existe jeito bonito de dizer isso. A ideia mais fácil de vender continua sendo a de que o outro está errado.
Terceiro: eu tenho interesse. Eu vendo carrossel para empresa e para candidato, e isso está escrito na página de serviços deste portal. Também está escrito, na página quem faz, que eu não publico peça paga de candidato aqui, e que se isso mudar um dia vai estar lá antes de estar em qualquer outro lugar. Os dois avisos valem juntos. Mas o leitor tem o direito de saber que quem escreve "vote com consciência" ganha a vida com comunicação política.
Quarto: "equilíbrio" é a palavra mais fácil de dizer e a mais difícil de cobrar. Todo candidato do mundo promete juro baixo, imposto baixo e programa social mantido. O que separa promessa de plano é o custo ao lado de cada item, e o plano do Cury tem os itens sem o custo. Eu vou continuar cobrando isso dele até 4 de outubro.
Minha opinião final
Eu voto 70 por uma razão que cabe numa frase: eu queria votar a favor de alguém, e sobraram dois candidatos com mais da metade do país dizendo "esse não".
Isso não é a única razão, e as outras estão espalhadas nas matérias desta semana: a proposta de mandato de oito anos para ministro do Supremo, a rejeição de 18,5%, o eleitor que tinha desistido e voltou. Mas a razão de fundo é essa. Eu li o estudo que mostra que metade do Brasil escolhe primeiro o que odeia. Eu não queria estar nessa metade.
Vai dar certo? O Datafolha de sexta diz que provavelmente não. Eu sei ler pesquisa. Se o Cury não passar, no dia 25 de outubro eu vou votar contra alguém, como a regra do segundo turno manda, e vou dizer aqui em quem. O que eu não vou fazer é entregar no dia 4 o voto que a Constituição me deu para escolher, só porque a pesquisa de setembro mandou.
Quatro anos passam. A consequência da escolha fica. Foi assim que eu terminei o primeiro post, e é assim que eu termino esta matéria.
Perguntas que chegam nos comentários
Isso é propaganda eleitoral?
É opinião assinada, com o selo de opinião no topo, e não é peça paga. Na página quem faz deste site está escrito que eu não publico peça paga de candidato aqui, e que se isso mudar vai estar escrito lá antes de qualquer outro lugar. Os números da matéria são de instituto de pesquisa, do TSE e de universidade, e cada um tem a fonte no rodapé. A conclusão é minha.
Por que Augusto Cury e não outro candidato?
Porque eu queria votar a favor de alguém. Na AtlasIntel de agosto, Flávio Bolsonaro tem 52,7% de rejeição e Lula, 52%. Cury tem 18,5%. Ele também é o único que apresentou proposta de mudar a regra do Supremo, com mandato de oito anos para ministro. E o eleitorado dele tem gente que tinha desistido de votar: 29% não iriam para ninguém num segundo turno Lula x Flávio, segundo a BTG/Nexus.
Votar em branco ou nulo ajuda alguém?
Não ajuda ninguém e não atrapalha ninguém. Pelo artigo 77 da Constituição, brancos e nulos não entram na conta dos votos válidos. Quem vota em branco sai da conta. Em 2022, 5,7 milhões votaram branco ou nulo no segundo turno e 32,2 milhões ficaram em casa, num total de 37,9 milhões que não escolheram ninguém. A eleição foi decidida por 2,1 milhões de votos.
Se o Cury não passar para o segundo turno, o meu voto foi jogado fora?
Não. Se ninguém tiver mais da metade dos votos válidos em 4 de outubro, os dois primeiros disputam de novo em 25 de outubro, e você vota outra vez, em quem quiser. O voto no terceiro colocado no primeiro turno não tira de você o voto do segundo. O único voto que não conta para ninguém é o de quem fica em casa, e o branco e o nulo.
O que muda acompanhar a política depois da eleição?
Muda o que o eleito faz. Em abril de 2026, o Senado rejeitou o indicado do Lula ao Supremo por 42 a 34, a primeira rejeição desde 1894, com pressão de eleitor sobre senador. No mesmo período, a proposta que limita as decisões de um ministro sozinho no Supremo, aprovada no Senado em 2023, parou na Câmara porque ninguém cobrou. A diferença entre os dois casos é quem continuou olhando.
O calendário até a urna
| Data | O que acontece |
|---|---|
| Terça e quarta, 15 e 16 de setembro | O Banco Central decide a Selic. O mercado espera corte de 14% para 13,75% |
| Depois de 22 de setembro | O plenário do Supremo decide o que faz com o caso Moraes e Mendonça |
| Domingo, 4 de outubro | Primeiro turno. Treze candidatos na urna |
| Domingo, 25 de outubro | Segundo turno, se ninguém passar de metade dos votos válidos |
Eu volto a cada pesquisa nova, com o número na mão. Inclusive quando ele for contra o meu candidato.
Leia também: votar no Cury é jogar voto fora?, 37,9 milhões não escolheram ninguém, cientistas pagaram eleitores para falar a verdade e 10 razões para não votar em Augusto Cury.







