Nos meus comentários, os dois lados têm certeza.
"Ele é esquerda. Apoiou o Lula."
"Ele é direita. Apoia o Bolsonaro."
Os dois leram o mesmo homem e viram inimigos diferentes. Então eu fui ao que está escrito, e não ao que está sendo gritado.
Ele mesmo responde assim
"Mente capitalista, coração social."
É a frase que ele repete desde abril, em entrevista à Gazeta do Povo, à Jovem Pan, ao Congresso em Foco. Que raio quer dizer isso? Vou te mostrar com o que está escrito no plano de governo dele, protocolado no TSE. Primeiro a mente. Depois o coração.
O lado direita: a mente capitalista
O que está no plano de 200 páginas e nas entrevistas:
- Governo gastando menos do que arrecada. Responsabilidade fiscal como regra, não como meta.
- Estado mais enxuto: corte de 8 a 10 ministérios e de 30% dos cargos de confiança.
- Menos burocracia para quem quer abrir negócio.
- Meritocracia e empreendedorismo como palavras centrais do discurso.
- Semipresidencialismo, fim da reeleição e mudanças no STF, que são pautas historicamente da direita liberal.
Sobre juros, ele usou uma palavra que economista não usa: "cruéis". A conta dele é simples: o produtor paga cerca de 20% ao ano para tomar dinheiro e lucra cerca de 5%. Não fecha para ninguém que produz.
E ele já chamou Paulo Guedes, o ex-ministro da Economia do Bolsonaro, de "mente brilhante". Guarde essa informação. Ela vai fazer par com o que vem no fim.
O lado esquerda: o coração social
O que está no mesmo plano:
- Manter o Bolsa Família, com uma transição para quem arrumar emprego: quem assinar carteira ou abrir MEI não perde o benefício por um tempo.
- Saúde mental no SUS, com clínicas de prevenção à depressão.
- Telemedicina no interior, onde não tem médico.
- Educação emocional nas escolas públicas.
E a frase que ele diz sobre o programa, que nenhum petista diria, mas que nenhum bolsonarista também diz:
"O Bolsa Família ama a pobreza, mas não ama os pobres."
Ele quer o programa, e quer que ele deixe de ser uma porta sem saída. Nas palavras dele: "mente capitalista com um coração que cuida dos desvalidos." Desvalido é quem ficou para trás. Quem ninguém defende.
O teste de verdade: o debate da Band
Em 23 de agosto, no primeiro debate, um candidato chamou o eleitor do Lula de canalha. Não o Lula. O eleitor. Gente como seu vizinho, sua tia, seu irmão.
O homem que elogiou o ministro do Bolsonaro respondeu na hora:
"Você pode criticar as ideias de Lula, e elas são criticáveis, mas não pode criticar a pessoa, transformando ela numa escória humana. E nem mesmo o eleitor do Lula."
E completou, para Renan Santos:
"Você tem um nível de agressividade que me assombra. A beleza da democracia está na divergência."
Leu direito? Ele defendeu o eleitor do adversário. Quando foi a última vez que você viu um candidato fazer isso?
Agora deixa eu te contar uma coisa sobre número
A sua briga é outra:
- Um hospital que atende.
- Uma escola que ensina.
- Uma rua onde dá para andar à noite.
- Pagar um dos impostos mais altos do mundo e receber quase nada de volta.
Esse último tem número. O Brasil é o último colocado em retorno de bem-estar à sociedade entre os 30 países de maior carga tributária, segundo o índice IRBES, do IBPT. Pelo 15º ano seguido. Carga de 32,3% do PIB, e o pior retorno da lista.
Político não é time
Não é religião. Não é família. Político é um funcionário público, escolhido por você numa entrevista de emprego chamada eleição. Do vereador ao presidente.
E funcionário a gente escolhe pelo currículo e pelo caráter. Não pela camisa.
O que ficou de fora, e por quê
- Uma frase atribuída a ele na convenção, sobre "todos os valores da direita". Não achei o registro em veículo de imprensa. Sem isso, não entra. A frase confirmada é a da "mente capitalista, coração social".
- Rótulo definitivo. A matéria não decide se ele é de direita ou de esquerda. Mostra o que está escrito e deixa você decidir.
Perguntas que chegam nos comentários
Como Cury se define?
"Mente capitalista, coração social". Ele diz que não é nem de direita nem de esquerda.
O plano de governo de Cury é de direita?
Na economia, sim: corte de ministérios, Estado enxuto, empreendedorismo e semipresidencialismo. A pauta social, com Bolsa Família mantido e saúde mental, é o que a direita tradicional não abraça.
Cury defendeu o Bolsa Família?
Sim, no debate da Band de 23 de agosto de 2026, quando Renan Santos atacou o programa. Foi o momento mais comentado do debate.
Cury apoiou Lula?
O partido dele, o Avante, apoiou Lula em 2022. Cury se filiou em 5 de abril de 2026 e tentou chapa com Zema, do Novo, em julho.
Cury é de centro?
Ele se apresenta assim. A matéria conclui que é de direita na economia e de centro no discurso, e que é por isso que os dois lados o atacam.
A resposta, que vai te irritar
Ele é de direita na economia e de centro no discurso, com uma pauta social que a direita tradicional não abraça. Se você precisa de um rótulo de uma palavra, ele não cabe em nenhum. E é exatamente por isso que os dois lados atacam.
Depois faz sentido: quem não é de nenhum time incomoda os dois.
Eu volto a cada passo, com fonte.






