Antes do primeiro número, o combinado que vale para esta matéria: eu torço nesse caso, e prefiro dizer isso na cara do que esconder. O que eu não faço é inventar número. Tudo aqui tem instituto, data e registro no tribunal eleitoral. Se o número virar contra, eu volto e conto. E há um trecho mais abaixo que joga contra a minha própria torcida.
Que pesquisa é essa
| Item | Dado |
|---|---|
| Instituto | Genial/Quaest |
| Entrevistas | 2.004, presenciais |
| Período | 30 de agosto a 1º de setembro de 2026 |
| Margem de erro | 2 pontos para mais ou para menos |
| Registro no TSE | BR-07065/2026 |
| Contratante | Editora Globo e Globo Comunicação |
O placar do segundo turno
Foi a primeira vez que um instituto testou esse duelo.
Agora o número que quase ninguém está contando
No mesmo cenário, 21% disseram que votariam branco, nulo ou que não vão votar. Outros 5% não souberam responder.
Traduzindo para a vida real: para virar esse jogo, ele não precisa tirar voto de quem já está com o Lula. Precisa chegar primeiro em quem ainda não escolheu. Vinte e seis é maior que seis, e essa é toda a conta.
De onde esse homem saiu
Em agosto ele era uma linha de rodapé nas pesquisas.
Augusto Cury no primeiro turno, por instituto
Registros no TSE. Institutos e datas diferentes
É o único nome fora dos dois lados que chegou a dois dígitos. E o número mais recente, do Datafolha, é o menor da série: 8%. Registro isso porque o outro lado vai registrar.
O que acendeu o pavio
O debate da Band, em 23 de agosto. Antes dele, Cury tinha cerca de 100 menções por hora na internet. Depois, chegou a 8.978 por hora. Em 27 de agosto, ganhou 1 milhão de seguidores no Instagram em 24 horas, e passou de 10 milhões na semana seguinte.
"Mas isso aí é robô"
Foi a primeira reação, e alguém foi checar. O Instituto Democracia em Xeque analisou 11.322 perfis que falaram dele.
| O que encontraram | Resultado |
|---|---|
| Perfis que postaram uma única vez | 76% |
| Perfis com menos de 5 mil seguidores | 96% |
| Perfis com mais de 100 mil seguidores | 0,2% |
A conclusão do instituto foi de adesão espontânea, não de operação coordenada. Campanha grande normalmente sobe por cima, com perfil enorme puxando o resto. Essa subiu por baixo, com gente pequena postando uma vez cada. Onda de cima o dinheiro compra. Onda de baixo é mais difícil de fabricar. Eu escrevi sobre os dois lados dessa desconfiança em outra matéria.
O ativo mais caro da política
Chama rejeição, e mede quanto do eleitorado diz que não votaria naquele nome de jeito nenhum. Levantamento da AtlasIntel entre 25 e 30 de agosto:
Rejeição, em %
AtlasIntel/Bloomberg, campo de 25 a 30 de agosto de 2026
Rejeição é o teto da casa: ela diz até onde o candidato consegue crescer. Quem tem rejeição alta bate a cabeça no teto e para. A dele é a mais baixa da mesa, e é menos da metade da do Flávio.
Quem está votando nele
Segundo a Quaest: ele lidera entre os eleitores independentes, com 24% contra 21% do Lula. Nos demais levantamentos, o perfil que mais aparece é de mulheres, professores, donas de casa e evangélicos.
E o dado mais curioso: 19% dos eleitores dele se declaram não polarizados, contra apenas 2% uma semana antes, e outros 19% se dizem contra Lula e contra Bolsonaro ao mesmo tempo. Quase quatro em cada dez vieram de um espaço onde não havia ninguém.
Por que eu ainda acho que dá, e isto é opinião
Aviso que este trecho é opinião, não checagem.
A curva dele tem duas semanas de vida e já chegou a 34 num cenário de segundo turno. Rejeição de 18,5% significa muito espaço para crescer. E no espontâneo, quando o entrevistador não dá lista nenhuma, 42% ainda não sabem dizer um nome. Eleição não se decide em quem já decidiu.
O que eu não consigo dizer é se o tempo dá. Faltam 29 dias, ele tem 35 segundos de TV por dia, e precisa passar um adversário que está 20 a 25 pontos à frente.
O que vem agora
O primeiro turno é em 4 de outubro. Nesse intervalo pesam o horário eleitoral na TV e no rádio, os debates de 14 e 27 de setembro e 1º de outubro, e quem chegar primeiro nos 26% em aberto.
Pesquisa é foto, não é resultado. E foto muda quando o assunto muda.
Perguntas que chegam nos comentários
Cury venceria Lula no segundo turno?
Na única pesquisa que testou, a Quaest de 2 de setembro, não: Lula 40, Cury 34, com 26% do eleitorado em aberto. O Datafolha de 4 de setembro não testou esse cenário.
Qual é a rejeição de Augusto Cury?
18,5%, a menor entre os candidatos, segundo a AtlasIntel de 25 a 30 de agosto. Flávio Bolsonaro tem 41,3% e Renan Santos, 43,1%.
Cury já está no segundo turno?
Não. Ele é o terceiro colocado, entre 8% e 11%, e a vaga na final está com Flávio Bolsonaro, que tem entre 29% e 33%.
Os seguidores de Cury são robôs?
O Instituto Democracia em Xeque analisou 11.322 perfis e concluiu por adesão espontânea: 76% postaram uma única vez e 96% têm menos de 5 mil seguidores. As pesquisas por telefone e presenciais confirmaram o crescimento, o que robô não faz.
Quando é o primeiro turno de 2026?
4 de outubro. Os debates antes disso são em 14 e 27 de setembro e em 1º de outubro.
Leia também: Cury saltou de 2% para 11%, e três institutos mediram de novo e Cury escolheu o adversário do segundo turno.






