Aviso na primeira linha: esta é uma matéria de opinião. A tese é minha. Os números são de fonte, e os que jogam contra a tese estão aqui também.
O que aconteceu depois do primeiro debate
Todos os candidatos cresceram nas redes. Um único perdeu seguidores nos três dias seguintes. O nome dele era Lula.
| Depois do debate de 23 de agosto | |
|---|---|
| Augusto Cury | +1,55 milhão de seguidores em 3 dias; +2 milhões em uma semana; buscas no Google +900% |
| Lula | -6.590 seguidores no mesmo período |
Não é o número que decide eleição. Mas é o número que diz para onde a atenção foi.
O número que importa não está em pesquisa nenhuma
É o número de famílias que pararam de se falar por política.
Você já brigou com alguém que você ama, por causa de um político que nem sabe que você existe. Todo mundo já. E é aqui que a tese começa.
O Brasil não está dividido. O Brasil está doente. Quem disse foi ele, no debate da Band:
"O Brasil está dramaticamente doente, polarizado, radicalizado. Estamos em um barco só."
E um país cheio de gente gritando com estranho na internet talvez precise mesmo de um psiquiatra.
A contradição que prova a tese
"Ele é de esquerda!", dizem os de direita. "Ele é de direita!", dizem os de esquerda. Os dois não podem estar certos. E ele mesmo respondeu: "Sou de centro. Mente capitalista, coração que cuida dos desvalidos."
Ele não é de lado nenhum por um motivo simples: nunca foi político. 67 anos. Primeira eleição da vida.
Por que isso importa contra o Lula, especificamente
Lula é o dono de um time. Ganha quem consegue mobilizar o time dele e desmobilizar o outro. Contra Bolsonaro, funcionou duas vezes, porque Bolsonaro também é dono de um time, e a eleição virou jogo de torcida.
Contra alguém que não é de time nenhum, a estratégia quebra. Não dá para chamar de "fascista" quem defendeu o eleitor do Lula no debate. Não dá para chamar de "petista" quem diz que o Bolsa Família "ama a pobreza". A arma do Lula é a polarização, e o Cury é o único candidato que ela não alcança.
Quaest, campo de 30 de agosto a 1º de setembro de 2026
Entre os que não têm lado, ele já passou o Lula. E no segundo turno testado, com 26% do eleitorado em aberto, a diferença é de seis pontos. Nenhum outro candidato da oposição chega perto disso entre os independentes.
O dinheiro
R$ 242,2 milhões. É o patrimônio que ele declarou ao TSE, o maior de todos os candidatos. Lula declarou R$ 4,7 milhões. Cury tem cerca de 50 vezes o patrimônio do presidente.
"Mas ele já é rico, por que ia querer governar?" Essa é exatamente a pergunta. Quem já tem não precisa pegar. Não deve favor, não tem padrinho, não precisa de salário.
O imposto
O Brasil não tem a maior carga tributária do mundo. Tem coisa pior. Entre os 30 países que mais cobram, o Brasil é o último em retorno para a população, pelo 15º ano seguido, segundo o índice IRBES, do IBPT. Carga de 32,3% do PIB e o pior retorno da lista. É essa conta que o eleitor sem time quer ver resolvida, e nenhum dos dois times resolveu.
O que ficou de fora, e por quê
- Comparar Cury a Flávio Bolsonaro. Fica para outra matéria. Aqui a tese é sobre quem vence o Lula, não sobre quem lidera a direita.
- "Ele vai ganhar." Não está escrito, porque eu não sei. Está escrito "capaz", que é outra coisa.
Perguntas que chegam nos comentários
Qual é a tese da matéria?
Que contra Lula, que tem o eleitorado mais fiel do país, só ganha quem não pertence a nenhum time. E que Cury é o único candidato que lidera entre os independentes: 24% a 21%.
Lula perdeu seguidores?
Cerca de 6 mil em três dias, enquanto todos os outros candidatos ganhavam, segundo levantamento da Vox Radar. Lula tem 14,9 milhões acumulados, então é oscilação pequena.
Cury vence Lula no segundo turno?
Não, na única pesquisa que testou: Lula 40, Cury 34, na Quaest. A tese diz "capaz", não "vai".
Cury está na frente de Flávio Bolsonaro?
Não. Flávio tem de 29% a 33% e Cury de 8% a 11%. Para chegar à final, Cury precisa passar Flávio primeiro.
Qual é a rejeição de Cury?
18,5%, a menor entre os candidatos, na AtlasIntel de fim de agosto. A de Flávio Bolsonaro é 52,7% (41,3% é a de Jair Bolsonaro na mesma tabela) e a de Renan Santos, 43,1%.
A tese, avisada como tese
Contra um dono de time, só ganha quem não joga em time nenhum. É isso que a pesquisa entre os independentes está dizendo, e é isso que o Lula, que perdeu seguidores enquanto todo mundo ganhava, já percebeu. Se eu estiver errado, o número vai mostrar. E eu vou publicar o número.
Eu volto a cada pesquisa, com a tese refeita.






