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Economia / 4 de setembro de 2026

A conta na mesa

O Congresso zerou o imposto da compra de até US$ 50. O que muda no que você paga, a partir de quando e a conta com ICMS

A medida foi aprovada na Câmara e no Senado e vai à sanção. Zera o imposto de importação para compras internacionais de até 50 dólares e abre caminho para cortar de 60% para 30% em compras de até 3 mil. Shein, Shopee, Amazon e AliExpress ganham novas obrigações. Aqui está a história inteira da taxa das blusinhas desde 2023, a conta na prática e a data em que a regra passa a valer.

Publicado
4 de setembro de 2026
Atualizado
5 de setembro de 2026
Editoria
Economia
Leitura
7 min
Fontes
7 citadas
Foto ilustrativa, comércio
Foto ilustrativa, comércio

O Congresso aprovou, e agora depende só da assinatura do presidente: a compra internacional de até 50 dólares volta a não pagar imposto de importação.

A medida passou na Câmara e no Senado e seguiu para sanção. Ela vinha de uma medida provisória, a MP 1.357/2026, que perdia a validade em 8 de setembro. Foi essa data que explicou a pressa: se o Congresso não votasse, a regra caía sozinha.

Antes de qualquer análise, o que interessa para quem compra.

O que muda, em uma tabela

Faixa de compraComo estavaComo fica
Até US$ 5020% de imposto de importaçãoZerado
De US$ 50 a US$ 3 mil60% de imposto de importação, com desconto de US$ 20Abre caminho para 30%
ICMS estadual17%Continua 17%

Duas observações honestas antes que alguém saia comemorando errado.

A primeira: a faixa de até 3 mil dólares não caiu automaticamente. O texto abre a possibilidade de reduzir de 60% para 30%. Uma coisa é autorizar, outra é aplicar. Vale acompanhar o ato que regulamenta.

A segunda: imposto de importação não é o único imposto da conta. Continua existindo o ICMS, que é estadual, fixado em 17% pelo Convênio 81 do Confaz. Quem prometer a você que a compra de até 50 dólares agora chega "sem imposto nenhum" está simplificando demais.

A conta na prática

Para você ver o tamanho da diferença, uma compra de R$ 200 numa plataforma do Remessa Conforme. Conta aproximada, porque o ICMS é calculado "por dentro" e o câmbio muda:

Como estavaComo fica
ProdutoR$ 200,00R$ 200,00
Imposto de importação20%: R$ 40,000%: R$ 0,00
ICMS de 17% sobre o totalcerca de R$ 49,00cerca de R$ 41,00
Total aproximadocerca de R$ 289cerca de R$ 241

A história inteira da "taxa das blusinhas"

O tema volta a cada ano com nome novo. Para você não se perder:

QuandoO que aconteceu
Até 2023Compras de até US$ 50 entre pessoas físicas eram isentas na lei, e a fiscalização era fraca. Empresas usavam a brecha
Agosto de 2023Nasce o Remessa Conforme: plataforma que adere paga ICMS de 17% e fica isenta do imposto federal até US$ 50
Junho de 2024Congresso aprova a Lei 14.902: 20% de imposto federal até US$ 50, a partir de agosto de 2024. Nasce o apelido "taxa das blusinhas"
2026Governo edita a MP 1.357 zerando os 20% até US$ 50
Setembro de 2026Congresso aprova a MP no último dia do esforço concentrado, a quatro dias de ela caducar

Repare: a regra que o Congresso acaba de derrubar foi criada pelo próprio Congresso há dois anos. E foi derrubada em ano de eleição.

O que muda para Shein, Shopee, Amazon e AliExpress

Esta é a parte que quase não apareceu nas manchetes, e é a que tem efeito mais duradouro.

O texto cria novas obrigações de fiscalização para as plataformas sobre os vendedores que operam dentro delas. Na prática, a plataforma passa a ter responsabilidade sobre quem está vendendo por meio dela, e não apenas sobre a própria operação.

E cria limites para evitar o fracionamento de pedidos, que é a manobra de quebrar uma compra grande em várias pequenas para caber na faixa isenta. Quem fazia isso vai encontrar trava.

Por que isso virou assunto político

Porque é a pauta que atravessa lados.

Quem defende a isenção usa dois argumentos: é o consumidor de menor renda que compra nessa faixa, e taxar compra pequena tem baixo efeito de arrecadação e alto efeito de impopularidade.

Quem é contra usa outro: o varejo brasileiro paga tributo, encargo e folha aqui dentro, e concorre com produto que entra sem a mesma carga. A conta de quem tem loja física não fecha do mesmo jeito que a de quem despacha de fora. E o varejo vem de um ano em que 986 lojas entraram em recuperação judicial.

As duas coisas são verdade ao mesmo tempo. É por isso que o tema volta a cada ano, com nome novo.

A data. É o que importa para você

A medida foi aprovada e segue para sanção presidencial. Ou seja: ainda não vale.

Enquanto o presidente não assinar e a regra não for publicada, a cobrança continua como está hoje. Não existe efeito retroativo para compra feita antes.

A recomendação prática: se você tem compra na faixa dos 50 dólares para fazer e ela não é urgente, vale esperar a publicação. Se a compra já está a caminho, a regra que vale é a do momento do despacho, não a da promessa.

O contexto que explica a pressa

Esta votação aconteceu no último dia do esforço concentrado do Congresso antes das eleições. Era a janela final para aprovar pauta de interesse do governo antes que o calendário eleitoral tome conta de tudo.

Na mesma janela estava a PEC do fim da escala 6x1, que passou na comissão mas não foi a plenário e ficou para depois do primeiro turno.

Vale registrar a diferença de tratamento, porque ela é informativa: o imposto da compra internacional foi aprovado, e a redução da jornada de trabalho não foi. Um tinha prazo de validade caindo em 8 de setembro. O outro dependia de 49 votos que o governo não teve certeza de ter.

Perguntas que chegam nos comentários

A taxa das blusinhas acabou?

O imposto de importação de 20% sobre compras de até US$ 50 foi zerado pelo Congresso e aguarda sanção presidencial. O ICMS de 17% continua. A regra só vale depois de publicada no Diário Oficial.

Quanto vou pagar numa compra de até 50 dólares?

Só o ICMS de 17%, calculado por dentro. Numa compra de R$ 200, a conta cai de cerca de R$ 289 para cerca de R$ 241.

E compras acima de 50 dólares?

Continuam com 60% de imposto de importação, com desconto de US$ 20, mais ICMS. O texto abre caminho para reduzir a 30%, mas isso depende de regulamentação.

A partir de quando vale?

Depois da sanção presidencial e da publicação no Diário Oficial da União. Não há efeito retroativo para compras já despachadas.

O que muda para Shein, Shopee e AliExpress?

As plataformas passam a ter obrigações de fiscalizar os vendedores que operam dentro delas e a aplicar limites contra o fracionamento de pedidos.

Quem criou a taxa das blusinhas?

O próprio Congresso, pela Lei 14.902 de junho de 2024, em vigor desde agosto de 2024. Antes, o Remessa Conforme de 2023 já cobrava os 17% de ICMS.

O que vem agora

  1. A sanção do presidente, que define a data em que a regra passa a valer.
  2. A regulamentação da faixa de até 3 mil dólares, para saber se a redução de 60% para 30% sai do papel.
  3. Como as plataformas vão aplicar as novas obrigações sobre os vendedores, e se isso encarece o produto por outro caminho.

Eu volto quando a sanção sair, com a data exata.

Fontes desta materia

  1. Câmara dos Deputados, tramitação de medidas provisórias
  2. Congresso Nacional, medidas provisórias em tramitação
  3. Receita Federal, Programa Remessa Conforme
  4. Lei 14.902 de 2024, que fixou os 20% até US$ 50
  5. ClicRDC, resumo da aprovação e das novas obrigações para as plataformas
  6. A Pública, calendário do esforço concentrado do Congresso antes das eleições
  7. Confaz, Convênio ICMS 81 de 2023, alíquota de 17% nas remessas internacionais