Quinta-feira, 10 de setembro de 2026. Faltam 24 dias para o primeiro turno. Augusto Cury, candidato a presidente pelo Avante, número 70, subiu num palco na Avenida Faria Lima, em São Paulo. A Faria Lima é a rua onde ficam os bancos e as corretoras. O evento foi da Genial Investimentos, para clientes e operadores, que são as pessoas que cuidam do dinheiro de investidor. Depois do palco, ele parou para responder a jornalistas.
Foi ali que ele disse a frase que virou manchete no Globo, no Estadão, na Exame, no Valor e no Metrópoles antes do meio-dia:
Eu não apoiaria, em hipótese alguma, Lula. Nem 0,01%.
Augusto Cury, no evento da Genial Investimentos, 10 de setembro de 2026. O Globo registra que a plateia aplaudiu.
E foi ali também que ele fez uma coisa que ninguém tinha visto até agora nesta campanha: abriu a porta para apoiar Flávio Bolsonaro num segundo turno, com uma lista de cobranças na mão.
Esta matéria é a versão completa do carrossel que eu publiquei hoje. Aqui estão as frases inteiras, o que cada cobrança significa em português de todo dia, as pesquisas com o número de registro no tribunal eleitoral e o dado que, para mim, é o mais importante do dia: o que o eleitor do Cury já disse que faria num segundo turno sem ele.
O que aconteceu, em ordem
A primeira matéria foi a do Globo, assinada por Samuel Lima, publicada às 10h49 e atualizada às 12h21. O Estadão saiu às 10h28, com Juliano Galisi. A Exame às 10h32, com André Martins. O Metrópoles às 11h16, com Júlia Queiroz e Angélica Sales. O Valor às 12h22, com Joelmir Tavares. A Agência Estado distribuiu um texto que foi reproduzido pelo Diário do Grande ABC, Money Times, UOL e Terra.
Todas contam o mesmo fato com pequenas diferenças de redação. Eu li todas e marco as diferenças mais abaixo, porque elas importam quando a gente cita alguém entre aspas.
Até o fechamento desta matéria, por volta das 14h, Folha, g1, CNN Brasil, Poder360 e Jovem Pan não tinham publicado nada sobre a fala.
As frases, uma por uma
Aqui vão as frases dele como o Globo publicou, na ordem em que apareceram. Onde outro veículo registrou algo a mais, eu digo qual.
1. Sobre Lula.
Eu não apoiaria, em hipótese alguma, Lula. Nem 0,01%.
Essa é a frase-título. O Estadão e a Exame escreveram "em hipótese nenhuma" em vez de "em hipótese alguma". A Agência Estado registrou as duas formas em momentos diferentes da fala. Ele provavelmente disse as duas. Eu uso a versão do Globo.
2. Sobre o PT.
O Lula tem que se aposentar, o modelo do PT tem que aposentar. Com todo o respeito ao que fez em seu primeiro governo, quando estava o Meirelles e o Palocci, com todos os seus problemas.
Henrique Meirelles foi presidente do Banco Central no primeiro governo Lula. Antônio Palocci foi ministro da Fazenda. Cury elogiou aquela época e disse que o modelo acabou.
3. Sobre Flávio Bolsonaro.
Não ficaria neutro. Mas ele teria que provar que não é corrupto, teria que explicar o "Dark Horse". Tem um longa-metragem meu sendo rodado agora com quase um décimo do valor do filme do pai dele, para se ter uma ideia. E ele teria que pegar o meu plano de governo, ir no cartório, fazer um registro e dizer que vai cumprir.
Essa é a frase mais importante do dia e eu volto a ela na próxima parte.
4. Sobre o próprio partido.
O Avante, partido dele, tem coligação com o PT em 4 estados e com o PL em 7. Perguntado sobre isso, ele respondeu:
Se vocês encontrarem um partido que é um convento, me chamem que eu vou para lá.
Convento é a casa onde moram freiras. Ele quis dizer que partido sem mistura não existe. Disse ainda que os acordos nos estados já estavam feitos quando ele decidiu ser candidato.
5. Sobre o time.
Quero sugestões. Sei formar um time, e o time vai ser melhor que o técnico.
Na sequência, o Globo registra que ele se chamou de "pesadelo de Lula" e disse que não quer fazer "carreira política", e sim um "governo tampão". Governo tampão é governo de passagem, para arrumar a casa e sair.
6. Sobre Alexandre de Moraes.
Defendo, sem juízo de valor, porque quero pacificar essa nação, que até as últimas consequências o doutor Alexandre de Moraes seja investigado. Se não der, ele continua. Se der, deve ser impeachmado. Porque nenhum cargo eletivo ou de carreira pública é dele, mas do contribuinte.
7. Na entrevista a jornalistas, depois do palco.
O Metrópoles e o Valor registraram falas dadas fora do palco, quando ele parou para os repórteres. Duas delas:
O Flávio está atolado com o Banco Master até as últimas consequências. Então para onde ir? Só tem uma via: Augusto Cury.
E o pesadelo do Lula, com muito respeito, é a minha candidatura. Porque eu não tenho histórico de corrupção.
E uma frase que fecha a lista de cobranças, publicada pelo Valor e pelo Metrópoles: se Flávio cumprir o que ele pediu, as pessoas que seguem Cury "estão liberadas para votar nele".
A Exame publicou um vídeo de 76 segundos dessa entrevista no YouTube. Nele, a frase sobre o cartório aparece um pouco diferente: "ir no cartório e assinar que vai executá-lo". No palco, ele disse "fazer um registro". São dois momentos e duas formas de dizer a mesma coisa. Registro que a legenda do vídeo é automática e pode ter erro, então eu não a uso como citação.
As três cobranças, em português de todo dia
Ele disse que não ficaria neutro. Neutro é quem não escolhe lado. Ele escolhe. O lado não é o Lula, e sobra o Flávio. Só que antes de apoiar, ele cobra três coisas. Vou explicar cada uma como explicaria para alguém que não acompanha política.
Cobrança 1: provar que não é corrupto
"Ele teria que provar que não é corrupto." Em palavras simples: mostrar que não fez nada errado com dinheiro público.
Aqui tem um detalhe que precisa ficar claro. Na lei brasileira, ninguém precisa provar que é inocente. É o contrário: quem acusa é que precisa provar. Isso está na Constituição e vale para qualquer pessoa, do presidente ao vizinho.
Então, na prática, a cobrança número 1 não tem como ser cumprida do jeito que foi dita. Não existe um papel que uma pessoa pega e que diz "não sou corrupto". O que existe é investigação que termina, ou processo que é arquivado, ou julgamento que absolve. Nada disso depende do Flávio. Depende da Polícia Federal, do Ministério Público e do Supremo, e não termina em 24 dias.
Ninguém foi condenado nesse caso. Isso precisa ser dito toda vez. O que existe é dúvida pública, e hoje foi Cury quem colocou a dúvida na mesa, com todas as letras.
Cobrança 2: explicar o Dark Horse
"Teria que explicar o Dark Horse." Para quem nunca ouviu falar: Dark Horse é um filme de cinema sobre Jair Bolsonaro, pai de Flávio.
O que se sabe do caso, com a fonte de cada número:
| O que | Número | Quem publicou |
|---|---|---|
| Quanto Flávio pediu para o filme | R$ 134 milhões | O Globo, texto do repórter |
| Quanto foi pago a um fundo nos Estados Unidos, sem transparência | Cerca de R$ 69 milhões | O Globo, texto do repórter |
| Quanto o banqueiro Daniel Vorcaro mandou para a conta que guardava o dinheiro do filme, segundo relatório do Coaf | US$ 12,3 milhões, mais de R$ 65 milhões | CNN Brasil |
| Investigações abertas no Supremo | 2 | CNN Brasil |
| Condenados | 0 | Todas as fontes |
O Coaf é o órgão do governo que vigia dinheiro suspeito. Daniel Vorcaro é dono do Banco Master e está preso. O Valor lembra que, quando Flávio se encontrou com ele, o banqueiro estava de tornozeleira eletrônica. Cury usou isso na fala: "Ele estava com tornozeleira eletrônica, e foi lá pedir uma parte do dinheiro que ainda devia. Essa promiscuidade com o banco Master tem que ser resolvida, doa a quem doer."
Promiscuidade, nesse uso, quer dizer mistura de coisas que não deviam se misturar: campanha e banco.
No mesmo dia da fala, 10 de setembro, a Polícia Federal fez uma operação autorizada pelo ministro Flávio Dino sobre emendas parlamentares ligadas à produtora do filme. O deputado Mario Frias, do PL de São Paulo, estava entre os alvos. A Revista Oeste publicou que a decisão de Dino não atinge Flávio.
E tem a comparação que Cury fez: "Tem um longa-metragem meu sendo rodado agora com quase um décimo do valor do filme do pai dele." Longa-metragem é filme de cinema. Um décimo é dez vezes menos. Ele usou o próprio filme para dizer que o Dark Horse custou caro demais.
Explicar "para onde foi o dinheiro", como ele pediu, é uma cobrança que Flávio pode até tentar atender. Mas até hoje ele preferiu não fazer isso: à CNN, disse que o caso é "página virada" e evitou detalhar as contas.
Cobrança 3: registrar em cartório que vai cumprir o plano de Cury
"E ele teria que pegar o meu plano de governo, ir no cartório, fazer um registro e dizer que vai cumprir."
Cartório é o lugar que registra papel: casamento, compra de casa, reconhecimento de assinatura. Quando alguém "registra" um documento em cartório, o cartório guarda uma cópia com data e assinatura. Serve para provar depois que aquele papel existia naquele dia com aquele texto.
O que Cury pediu, traduzindo: que Flávio assine, diante de um tabelião, uma promessa de governar com as ideias do plano de Cury.
O que isso obriga? Na prática, nada. Não existe lei que obrigue um presidente a cumprir uma promessa de campanha, mesmo assinada em cartório. Ninguém pode ir à Justiça e pedir que o presidente cumpra o plano de outro candidato. O registro serve para constranger, para ficar na parede como prova de que prometeu. Não serve para forçar.
É por isso que essa cobrança é a mais fácil de cumprir e a que menos vale. Assinar é rápido. Cumprir é outra história.
As três juntas
| Cobrança | Tem como cumprir em 24 dias? | O que obriga |
|---|---|---|
| Provar que não é corrupto | Não. Investigação não termina por vontade do investigado | Nada. A lei já diz que a prova é de quem acusa |
| Explicar o Dark Horse | Sim, se ele quiser abrir as contas | Nada por lei. Só a opinião pública |
| Registrar o plano em cartório | Sim, em uma tarde | Nada. Promessa registrada continua sendo promessa |
Vou voltar a essa tabela na hora de dizer o que pesa contra.
O que ele disse sobre o Supremo e sobre Moraes
A plateia da Genial aplaudiu com mais força na parte do Supremo, segundo a Exame. Ele propôs mudar como se escolhe ministro do STF, e disse que faria isso por emenda à Constituição na primeira semana de governo. As ideias:
| Hoje | O que Cury propõe |
|---|---|
| O presidente escolhe o ministro e o Senado aprova | Um grupo formado por associações de juízes e pelo Ministério Público faz a lista |
| O cargo dura até os 75 anos | Mandato de 8 anos, e depois sai |
| Pode vir de fora da carreira de juiz | Dois em cada três ministros vindos da carreira |
| Sem regra sobre partido | Não pode ter tido filiação partidária nos cinco anos anteriores |
Ao Estadão ele disse que "o ideal seria que o presidente nem escolhesse" e que "nenhum ministro está acima da lei". E completou: "Todos eles deveriam se colocar como empregados da sociedade, contratados pelo contribuinte e com prazo para serem demitidos."
Sobre Alexandre de Moraes, a fala tem duas partes e é preciso ler as duas. Primeiro: ele defende que Moraes seja investigado "até as últimas consequências". Segundo: se a investigação não achar nada, "ele continua". Se achar, "deve ser impeachmado". O Globo resumiu assim: Cury seria favorável ao impeachment de Moraes, mas "não de imediato", só depois de investigado.
Ou seja: ele não pediu a cabeça do ministro hoje. Pediu investigação, e disse que aceita o resultado. Quem espera dele um "fora Moraes" não achou isso na fala de hoje.
As pesquisas, com o número de registro
Ele disse: "Eu creio que eu vou estar no segundo turno." As pesquisas dizem outra coisa. Aqui estão as quatro mais recentes que eu consegui conferir na fonte, todas com o número de registro no Tribunal Superior Eleitoral. Registro é o protocolo que toda pesquisa eleitoral precisa ter, e ele traz o questionário, o tamanho da amostra e a margem de erro.
| Instituto | Campo | Registro TSE | Lula | Flávio | Cury | 2º turno Lula x Flávio | 2º turno Lula x Cury |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| PoderData/Aya | 6 a 9 de setembro | BR-04914/2026 | 38% | 36% | 10% | Flávio 47, Lula 45 | Cury 44, Lula 43 |
| BTG/Nexus | 4 a 7 de setembro | BR-06790/2026 | 39% | 35% | 9% | Flávio 46, Lula 45 | Cury 45, Lula 43 |
| Quaest | 3 a 6 de setembro | BR-01720/2026 | 36% | 29% | 8% | 41 a 41 | Lula 39, Cury 35 |
| Datafolha | 1 a 3 de setembro | BR-03669/2026 | 38% | 33% | 8% | Lula 46, Flávio 44 | não testou |
Três leituras dessa tabela:
Ele está em terceiro em todas. Entre 8% e 10%. A distância para o Flávio, que tem a vaga no segundo turno hoje, vai de 21 pontos na Quaest a 26 na BTG/Nexus.
Num segundo turno direto contra Lula, ele empata ou ganha em duas de três. PoderData e BTG/Nexus dão Cury na frente por um ou dois pontos, dentro da margem de erro. A Quaest dá Lula na frente por quatro. O Datafolha nem testou. É um dado bom para ele, e é o dado que sustenta a frase "pesadelo do Lula".
Só que para chegar lá ele precisa passar pelo Flávio. E o Flávio, contra o Lula, também empata em todas. Ou seja: hoje os dois fazem a mesma coisa contra o Lula. A diferença é que um tem 29% a 36% e o outro tem 8% a 10%.
A Gazeta do Povo abriu o perfil da Quaest e mostrou onde ele é forte: no Sul (43 a 33 contra Lula), entre quem tem faculdade (50 a 31) e entre quem ganha mais de cinco salários mínimos (48%, com 21 pontos de vantagem). Lula ganha no Nordeste, com 53%. Entre os eleitores que não se dizem nem de esquerda nem de direita, os independentes, Cury caiu de 24% para 17% em uma semana.
O Datafolha divulga pesquisa nova amanhã, sexta, 11 de setembro. A AtlasIntel tinha uma prevista para hoje, com registro BR-01452/2026 e cenário Lula x Cury, mas eu não a encontrei publicada até o fechamento.
Um registro que pesa: até hoje, 10 de setembro, a candidatura de Cury ainda estava em análise no TSE. O tribunal aprovou outras chapas e deixou Marçal e Cury para depois. Isso é normal no calendário, mas é um ponto aberto.
O número que prova a tese: para onde vai o eleitor dele
Agora o dado que, para mim, é o mais importante do dia. Ele responde a pergunta que eu mais leio nos comentários: "Se eu voto no Cury e ele não passa, eu ajudo o Lula?"
Duas pesquisas perguntaram ao eleitor do Cury: e se o segundo turno for Lula contra Flávio, em quem você vota?
Para onde vai o eleitor de Cury num 2º turno Lula x Flávio, em %
Quaest (3 a 6/9, BR-01720/2026) e BTG/Nexus (28 a 30/8, BR-08900/2026)
Dois institutos diferentes, com campos em datas diferentes, acharam o mesmo número: 46% do eleitor de Cury vai para Flávio. Para Lula, 23% a 24%. Na BTG/Nexus, 29% votariam branco ou nulo e 2% não sabiam.
Em linguagem de todo dia: de cada 10 eleitores do Cury, quase 5 vão para o Flávio, entre 2 e 3 vão para o Lula e perto de 3 não votam em nenhum dos dois. O Flávio recebe o dobro do Lula.
Ou seja: o eleitor do Cury já fazia, na pesquisa, o que ele disse hoje no palco. Já dava zero (ou quase) para o Lula e já ia, na maioria, para o Flávio.
Um cuidado com a conta: na Quaest, a fonte que eu li (a Revista Oeste) só publicou os 46% e os 24%. Os 30% que faltam para fechar 100% são conta minha, e eu não sei quanto disso é branco, nulo ou indeciso. Por isso não escrevo "30% branco ou nulo na Quaest". Na BTG/Nexus, os 29% estão publicados.
Para comparar, na mesma Quaest: o eleitor de Zema vai 59% para Flávio e 4% para Lula. O de Renan Santos, 58% e 14%. O de Marçal, 47% e 19%. O de Caiado, 36% e 25%. O eleitor do Cury é, entre esses, o segundo que mais vai para o Lula. Isso importa: o eleitorado dele tem mais gente de fora da direita do que o de Zema ou o de Renan.
E o eleitor dele ainda muda. Na BTG/Nexus do fim de agosto, 59% dos eleitores de Cury diziam que a decisão estava tomada. Entre os de Lula e de Flávio, 85%.
Todo mundo que apoiou Lula virou degrau. Cury não quis ser o próximo
Quando ouvi o "nem 0,01%", fiz uma pergunta: por que ele fecha a porta com tanta força? Fui olhar o que aconteceu com quem tinha nome próprio na política, disputou o mesmo espaço de Lula e depois foi para o lado dele. São quatro nomes. Aqui está o que cada um era, o que virou e onde está hoje, com a fonte de cada linha.
| Nome | O que era | O que virou depois de apoiar Lula | Onde está em 2026 | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| Geraldo Alckmin | Governador de São Paulo por quatro mandatos. Candidato a presidente em 2006, quando foi ao segundo turno contra Lula, e em 2018, quando ficou em 4º com 4,76% | Vice de Lula desde 2023 e ministro da Indústria | Vice de novo. Lula confirmou em 31 de março e a chapa foi lançada na convenção do PT em 2 de agosto. Deixou o ministério para isso. Não aparece como candidato a presidente em nenhuma pesquisa. Só é testado em cenário sem Lula: na AtlasIntel de julho, 45,8% contra 42,7% de Flávio | O Tempo, 31/03/2026; PT, 02/08/2026; Gazeta do Povo, AtlasIntel de 29/07/2026 |
| Simone Tebet | Senadora pelo Mato Grosso do Sul, estado onde nasceu. Candidata a presidente em 2022, 3ª colocada com 4,16% | Apoiou Lula no segundo turno de 2022 e virou ministra do Planejamento | Candidata ao Senado por São Paulo, e não pelo estado dela. Saiu do MDB, onde ficou quase 30 anos, e entrou no PSB em março. Ela mesma disse que o convite partiu de Lula, numa viagem ao Panamá em janeiro. Está na chapa de Haddad ao governo. Na Paraná Pesquisas de agosto (16 a 18/8, SP-08913/2026), tem 31,1%, empatada com Marina Silva (30,1%) e Derrite (28,2%) | Gazeta do Povo, 21/03/2026; Terra; Brasil de Fato, 19/08/2026 |
| Guilherme Boulos | Deputado federal por São Paulo. Foi ao segundo turno da prefeitura de São Paulo em 2024 com apoio de Lula e perdeu para Ricardo Nunes: 40,65% contra 59,35% | Ministro da Secretaria-Geral da Presidência desde 29 de outubro de 2025 | Não é candidato a nada. Disse em novembro: "Minha perspectiva não é sair candidato em 2026". Abriu mão até da vaga de deputado que já tinha, para ficar no ministério | TSE, 27/10/2024; Itatiaia, 29/10/2025; CNN, 18/11/2025; O Tempo, 30/05/2026 |
| André Janones | Deputado federal por Minas. Pré-candidato a presidente em 2022 pelo Avante, o mesmo partido de Cury hoje | Desistiu em 4 de agosto de 2022 e apoiou Lula no primeiro turno. Virou o nome das redes da campanha | Tenta a reeleição para deputado, agora pela Rede, número 1813, com candidatura deferida. Fechou acordo com a PGR no caso da "rachadinha": devolve R$ 157 mil e a investigação termina sem processo | O Tempo, 04/08/2022 e 26/03/2026; Gazeta do Povo; STF, Metrópoles e Hoje em Dia, 19/03/2025 |
Sobre Janones, escrevo só o que está nos autos e nas reportagens. Em novembro de 2023 vazou um áudio de 2019 em que ele pede a assessores parte do salário para ajudar a pagar contas de campanha. Ele negou: disse que era "vaquinha", não rachadinha, e que "não fiz nada errado, não propus nenhuma ilegalidade" (Poder360, 28/11/2023). Em setembro de 2024, a Polícia Federal o indiciou por peculato, associação criminosa e corrupção passiva. Peculato é o nome do crime de usar dinheiro público em proveito próprio. Segundo o relatório da PF, houve valores sem origem explicada de R$ 64,4 mil em 2019 e R$ 86,1 mil em 2020 (Agência Brasil, 12/09/2024). Em 19 de março de 2025, ele fechou com a PGR um acordo de não persecução penal, que o ministro Luiz Fux homologou. Nesse tipo de acordo, a pessoa aceita condições para a investigação acabar sem virar processo. As condições: devolver R$ 131,5 mil à Câmara e pagar R$ 26,3 mil a mais, que são 20% do prejuízo calculado. Na audiência, ele disse que celebrava o acordo "de livre e espontânea vontade" (Hoje em Dia, 19/03/2025). Não houve julgamento nem condenação, e o acordo não é sentença.
Agora a minha leitura, marcada como opinião. Os quatro tinham nome próprio. Um foi governador quatro vezes e disputou o segundo turno contra o próprio Lula. Uma foi candidata a presidente. Um quase foi prefeito da maior cidade do país. Um ia ser candidato a presidente. Depois que se juntaram a Lula, nenhum deles disputa a cadeira principal em 2026. Um é vice. Uma trocou de estado e de partido para disputar uma vaga que serve à chapa do PT em São Paulo. Um saiu da disputa e ficou no ministério. Um deixou de ser pré-candidato a presidente e virou deputado com acordo na Justiça. Em quatro anos, quatro nomes viraram peça do governo.
Cury viu isso e fechou a porta de saída no primeiro dia em que a pergunta apareceu: "nem 0,01%". E fechou justamente na semana em que ministros de Lula diziam ao Metrópoles, em 7 de setembro, que, para trazê-lo, seria preciso oferecer a ele "o comando de um ministério de grande relevância". Eu não achei registro de Cury respondendo a essa hipótese de ministério, e marco isso. O que achei foi a fala dele na sabatina da Jovem Pan, no mesmo dia 7: "Nós não vamos fazer um balcão de negócios, lotear o Brasil em hipótese alguma". Pode ser convicção, pode ser cálculo. Como fato, dos cinco nomes desta parte, ele é o único que ainda disputa a Presidência.
O que Alckmin, Marina Silva e Tebet diziam de Lula antes de virar aliados dele, com data, lugar e fonte de cada frase, está nesta outra matéria.
Por que ele é o melhor nome para o segundo turno, pelos números
Outra pergunta que chega nos comentários: "Se a direita precisa de alguém para vencer o Lula, por que o Cury e não o Flávio?" A resposta está em três números que as pesquisas já mediram: quem vence o Lula na disputa direta, quem o povo mais rejeita e quem ainda tem para onde crescer.
1. Na disputa direta contra Lula
Segundo turno é quando sobram só dois nomes. As pesquisas simulam isso. Perguntam ao eleitor: "se fosse Lula contra fulano, em quem você vota?". Aqui está o que deu para cada um.
| Disputa | Instituto | Campo | Registro TSE | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| Flávio x Lula | Datafolha | 1 a 3 de setembro | BR-03669/2026 | Lula 46, Flávio 44 |
| Flávio x Lula | Quaest | 3 a 6 de setembro | BR-01720/2026 | 41 a 41 |
| Cury x Lula | PoderData/Aya | 6 a 9 de setembro | BR-04914/2026 | Cury 44, Lula 43 |
| Cury x Lula | BTG/Nexus | 4 a 7 de setembro | BR-06790/2026 | Cury 45, Lula 43 |
| Cury x Lula | Quaest | 3 a 6 de setembro | BR-01720/2026 | Lula 39, Cury 35 |
Segundo turno contra Lula, em %
Datafolha (1 a 3/9, BR-03669/2026), PoderData (6 a 9/9, BR-04914/2026) e BTG/Nexus (4 a 7/9, BR-06790/2026)
Em duas de três pesquisas, Cury vence Lula. Flávio empata nas duas em que foi testado. No Datafolha, Lula aparece dois pontos na frente, e dois pontos é empate, porque a margem de erro é de dois para cada lado. Nenhum dos dois abre vantagem clara sobre Lula. Mas o Cury é o único que aparece na frente dele.
2. Rejeição: quem o povo diz que não vota de jeito nenhum
Rejeição é o nome que as pesquisas dão para uma pergunta simples: "em quem você não votaria de jeito nenhum?". É o número mais difícil de mudar numa campanha. Quem gosta pode mudar de ideia. Quem rejeita quase nunca muda.
| Candidato | Rejeição (AtlasIntel, campo de 25 a 30 de agosto, BR-07972/2026) |
|---|---|
| Flávio Bolsonaro | 52,7% |
| Lula | 52,0% |
| Augusto Cury | 18,5% |
Rejeição, em % de quem diz que não vota de jeito nenhum
AtlasIntel, campo de 25 a 30 de agosto, BR-07972/2026
Mais da metade do país diz que não vota em Flávio. Mais da metade diz que não vota em Lula. É por isso que os dois empatam: cada um tem quase metade do eleitorado trancada contra ele. O Cury tem 18,5%, a menor rejeição entre todos os candidatos. De cada 10 eleitores, menos de 2 fecham a porta para ele. Num segundo turno, é isso que decide. Quem tem menos gente contra tem mais gente para buscar. É daí que vem, na minha leitura apoiada nesses números, a aposta dele: ele acredita que ganha no segundo turno porque é quem tem menos rejeição.
3. Espaço para crescer
O terceiro número é a velocidade. Na BTG/Nexus de 24 de agosto, Cury tinha 2%. Na de 31 de agosto, 11%. Nove pontos em uma semana, logo depois da entrevista dele ao Jornal Nacional. Hoje ele está entre 8% e 10% nas quatro pesquisas mais recentes.
E tem um número que corta para os dois lados. A Quaest de 30 de agosto a 1º de setembro perguntou: "seu voto é certo ou ainda pode mudar?". Entre os eleitores de Lula, 80% disseram que é certo. Entre os de Flávio, 75%. Entre os de Cury, 52%.
Lido de um jeito, é ruim para ele: é o eleitor menos fiel dos três, e quase metade pode ir embora. Lido do outro jeito, é bom: o eleitor de Lula e o de Flávio já estão trancados, e o que sobra no país para ser conquistado é justamente quem ainda não se decidiu, como o eleitor dele. Quem tem 80% de certeza não cresce mais. Quem tem 52% pode cair ou pode dobrar.
"Cury apoiou o PT em 2022": o que é verdade e o que não é
Toda vez que ele fala de Lula, aparece nos comentários a corrente "o partido dele apoiou o Lula". Eu fui atrás e a resposta tem duas partes, e as duas são verdadeiras ao mesmo tempo.
| Afirmação | Verdadeiro ou falso | Fonte |
|---|---|---|
| O Avante apoiou Lula em 2022 | Verdadeiro. O partido entrou na coligação de Lula desde o primeiro turno, depois que André Janones, que ia ser candidato pelo Avante, desistiu e apoiou o petista | Terra/Estadão e GCMais, citando o TSE |
| Cury era do Avante em 2022 | Falso. Ele se filiou ao partido em 2026. É a primeira eleição da vida dele | Terra/Estadão e GCMais |
| Cury declarou apoio a Lula em 2022 | Falso. Não existe registro público de apoio dele a Lula ou a Bolsonaro naquele ano | Terra/Estadão, 31/08/2026 |
| Cury "sempre foi de esquerda pelo Avante" | Enganoso, segundo o Boatos.org, que checou a corrente em 1º de setembro | Boatos.org |
O que mais eu achei sobre a relação do Avante com o governo Lula:
- Em dezembro de 2022, na transição, o presidente do Avante, Luís Tibé, estava na equipe de transição e o partido tentou emplacá-lo como ministro do Turismo. Não conseguiu. Isso é de 2022, ano anterior, e eu marco a data porque é fácil confundir.
- Não encontrei nenhum ministro do Avante no governo Lula, de 2023 até hoje.
- Ministros de Lula disseram ao Metrópoles, em 7 de setembro, que o Avante "mantém proximidade com o governo no Congresso". Eu não levantei as votações uma por uma, então não consigo dizer o quanto o partido vota com o governo.
- Em 2026, o Avante tem coligação com o PT em 4 estados (Bahia, Alagoas, Rio Grande do Sul) e com o PL em 7 (entre eles Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo, na chapa de Tarcísio).
- Janones saiu do Avante na janela partidária de 2026, junto com quase todos os deputados do partido em Minas.
Sobre o voto dele em 2018 e 2022: o GCMais diz que, numa entrevista de abril de 2026, Cury respondeu que "estava ausente do país na época dessa votação". Eu não achei a entrevista original, então não uso como citação. A fala, de todo modo, não diz em quem ele votou.
Resumo em uma linha: o partido apoiou Lula em 2022. Cury não estava no partido em 2022.
O que ele já tinha dito antes, e o que mudou
A fala de hoje é diferente do que ele dizia dez dias atrás. Olha a sequência:
| Data | Onde | O que disse |
|---|---|---|
| 27 de julho | MyNews | Negou aliança com Flávio e disse que não aceitaria ser vice dele |
| 1º de setembro | Belo Horizonte | "Eu não sou a terceira via. Eu sou a única via da pacificação. Eu quero que Lula da Silva e Bolsonaro venham conosco" |
| 4 de setembro | São José do Rio Preto | "Há margem para eu subir mais. Eu já elegi meu adversário no segundo turno: Lula" |
| 7 de setembro | Sabatina da Jovem Pan | "O sonho de Lula da Silva é ter Flávio Bolsonaro no segundo turno. O pesadelo do Lula da Silva é me ter no segundo turno, porque eu vou aposentar o Lula" |
| 8 de setembro | Sabatina da CNN | Perguntado sobre Lula x Flávio, não escolheu nenhum: disse que eles é que teriam de escolher |
| 9 de setembro | Bienal do Livro de SP | "Eu quero aposentar o Lula" |
| 10 de setembro | Genial, Faria Lima | "Nem 0,01%" para Lula. Três cobranças para Flávio |
Em 1º de setembro ele queria "Lula e Bolsonaro" com ele. Em 8 de setembro, na CNN, não escolheu lado. Hoje, dia 10, descartou Lula de vez e disse que não ficaria neutro. A mudança de tom em nove dias é fato, e está datada.
As reações
Até o fechamento desta matéria, por volta das 14h de quinta, não encontrei nenhuma reação à fala de hoje de Flávio Bolsonaro, do PL, de Valdemar Costa Neto, de Michelle Bolsonaro, do PT, de Gleisi Hoffmann, de Lula ou de aliados de Cury. Procurei nome por nome, no Google Notícias e nos sites dos principais veículos. Nenhuma matéria sobre o fato traz resposta de nenhum lado.
O que existe são falas anteriores, ditas antes de hoje, que ajudam a entender como cada lado vê o Cury. Elas não são resposta à fala de hoje, e eu marco isso para ninguém misturar:
- Valdemar Costa Neto, presidente do PL, 31 de agosto, à CNN: Cury é "zero de ameaça" para Flávio chegar ao segundo turno.
- Campanha de Flávio, 31 de agosto, à Folha: auxiliares disseram ter identificado "robôs da Índia" inflando Cury nas redes e chamaram a alta dele de "voo de galinha". Cury respondeu: "Não tem história de robô."
- Aliados de Lula, 31 de agosto, à Folha: viam "o risco de, em um segundo turno, Cury apoiar Flávio contra o petista". Hoje esse risco ganhou voz.
- Governo Lula, 7 de setembro, ao Metrópoles: ministros acreditavam que ainda podiam atrair Cury, lembrando que o Avante esteve na coligação de 2022. Para isso, seria preciso oferecer "o comando de um ministério de grande relevância". A fala de hoje fecha essa porta.
- Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, 7 de setembro, ao Poder360: "Não aguento mais essa polarização. Eu não iria votar em Lula de jeito nenhum e também não iria votar no Flávio." Declarou apoio formal a Cury no dia 8.
- Flávio sobre o Dark Horse, à CNN, em data que não consegui confirmar: disse que o caso é "página virada" e evitou detalhar as contas.
Quando alguém responder, eu atualizo aqui em cima, com data e hora.
O que pesa contra, e eu não pulo
O que eu penso, marcado como opinião
Esta parte é minha e vem separada do fato.
Eu torço pelo Cury. Votaria no Flávio. Não voto em Lula. Digo isso antes de qualquer análise para você saber de onde eu falo.
O que eu mais leio nos comentários deste perfil, desde que a série sobre o Cury começou, é um medo: "Se eu voto no Cury e ele não passa, eu tiro voto do Flávio e ajudo o Lula." Hoje ele respondeu a esse medo. Não apoia Lula, não fica neutro. E a pesquisa já tinha mostrado que o eleitor dele, sem ninguém mandar, faz o mesmo: quase metade vai para o Flávio.
Para quem tem esse medo, a conta ficou mais simples. Se tiver segundo turno, você vota duas vezes. Uma no dia 4 de outubro, em quem você quiser. Outra depois, entre os dois que sobraram. O voto do primeiro turno não some.
Pelos números, ele é o melhor nome para o segundo turno. Vence Lula em duas de três pesquisas e tem a menor rejeição de todos os candidatos, 18,5% contra 52,7% de Flávio. O Flávio, contra Lula, empata. Eu não escondo que isso pesa na minha torcida.
Só que segundo turno se ganha com voto no dia 4 de outubro, não com frase. Eu já publiquei aqui, na matéria do dia 5, que frase boa não vira segundo turno. Voto vira. Ele precisa de 21 a 26 pontos em 24 dias, com 35 segundos de televisão por dia contra 4 minutos e 20 do Flávio. As cobranças que ele fez ao Flávio são justas como pergunta e impossíveis como prazo. E a que é possível, a do cartório, não obriga a nada.
Então o que a fala faz, na minha leitura, é outra coisa: ela avisa ao eleitor de direita que votar nele não é votar no Lula. E avisa ao Flávio que, se precisar do apoio dele, vai ter que dar explicação em público. As duas coisas ao mesmo tempo. Se isso mexe no número, a gente vê amanhã, no Datafolha, e nas rodadas seguintes.
Perguntas que chegam nos comentários
O que Augusto Cury disse sobre Lula?
No dia 10 de setembro de 2026, em evento da Genial Investimentos na Faria Lima, em São Paulo, disse: "Eu não apoiaria, em hipótese alguma, Lula. Nem 0,01%." A plateia aplaudiu, segundo O Globo.
Cury vai apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno?
Ele disse que não ficaria neutro e pôs três cobranças: Flávio provar que não é corrupto, explicar para onde foi o dinheiro do filme Dark Horse e registrar em cartório que vai cumprir o plano de governo de Cury. Se cumprir, disse que os seguidores dele "estão liberados para votar nele". Não houve promessa de apoio sem condição.
O que é o Dark Horse?
É um filme de cinema sobre Jair Bolsonaro. Segundo O Globo, Flávio pediu R$ 134 milhões para o filme, dos quais cerca de R$ 69 milhões foram pagos a um fundo sem transparência nos Estados Unidos. Um relatório do Coaf, noticiado pela CNN, diz que o banqueiro Daniel Vorcaro, preso, mandou mais de R$ 65 milhões à conta do filme. Há duas investigações no Supremo. Ninguém foi condenado.
Dá para "provar que não é corrupto"?
Não do jeito que foi dito. Na lei brasileira, ninguém precisa provar que é inocente: quem acusa é que precisa provar. O que existe é investigação que termina ou processo arquivado, e isso não depende da vontade de quem é investigado nem cabe em 24 dias.
Registrar o plano em cartório obriga Flávio a cumprir?
Não. Registro em cartório prova que o papel existia com aquele texto naquela data. Não existe lei que obrigue um presidente a cumprir promessa de campanha, assinada ou não.
Cury apoiou Lula em 2022?
Não há registro de apoio dele. O partido dele, o Avante, entrou na coligação de Lula em 2022. Mas Cury só se filiou ao Avante em 2026, na primeira eleição da vida dele.
Para onde vai o voto do eleitor de Cury se ele não passar?
Na Quaest (3 a 6 de setembro, BR-01720/2026), 46% vão para Flávio e 24% para Lula. Na BTG/Nexus (28 a 30 de agosto, BR-08900/2026), 46% para Flávio, 23% para Lula e 29% branco ou nulo.
Cury é o melhor nome para enfrentar Lula no segundo turno?
Pelos números de hoje, sim, com uma ressalva grande. Ele vence Lula em duas de três pesquisas (PoderData 44 a 43, BTG/Nexus 45 a 43), enquanto Flávio empata nas duas em que foi testado. A rejeição dele é de 18,5% na AtlasIntel, contra 52,7% de Flávio e 52,0% de Lula. A ressalva: os cenários em que ele vence estão dentro da margem de erro, e para chegar ao segundo turno ele precisa antes passar do primeiro, onde tem de 8% a 10%.
Cury venceria Lula num segundo turno?
Depende do instituto. PoderData (6 a 9 de setembro) dá Cury 44, Lula 43. BTG/Nexus (4 a 7 de setembro) dá Cury 45, Lula 43. Quaest (3 a 6 de setembro) dá Lula 39, Cury 35. Todos dentro ou perto da margem de erro. Para chegar lá, ele precisa antes passar Flávio, que tem de 21 a 26 pontos a mais no primeiro turno.
O que decide, e quando
Amanhã, sexta, 11 de setembro, sai o Datafolha novo. É a primeira pesquisa com campo depois dessa fala, ou bem perto dela. Se o número do Cury subir, a fala funcionou. Se ficar em 8%, foi manchete e só.
Depois vêm os debates de 14 e 27 de setembro e de 1º de outubro. E, em algum momento, a resposta do Flávio, que hoje não veio.
Eu volto a cada rodada, com o instituto, o registro e o número. Inclusive quando o número for ruim para o candidato que eu torço.







