A resposta em uma frase
Não. Augusto Cury nunca declarou voto nem apoio a Jair Bolsonaro. Nem em 2018, nem em 2022. E vai um dado a mais, que serve para os dois lados da briga: ele nunca declarou voto em ninguém para presidente. Em nenhuma eleição. Eu procurei em entrevista, em livro, em rede social e em checagem de jornal grande. Não existe registro.
Isso vale para quem diz que ele é bolsonarista disfarçado. E vale para quem diz que ele é do Lula. Eu já tratei da segunda acusação na matéria sobre o partido dele em 2022. Esta aqui é sobre a primeira.
O resto do texto é o que existe de verdade entre Cury e Bolsonaro. Tem livro enviado, tem frase sobre anistia, tem defesa da Michelle, tem cobrança ao Flávio. Tem também o que o bolsonarismo falou dele, o que o partido dele fez e o que as pesquisas desta semana mostram. Vou na ordem.
"Eu estava ausente do país"
Em abril de 2026, no programa Matinal, do site Amado Mundo, perguntaram a ele se tinha votado em Bolsonaro em 2018 e em 2022. A resposta, registrada pelo GCMais em 29 de agosto:
"Eu estava ausente do país na época dessa votação."
O episódio está no Spotify com a data de 13 de abril e o título fala de anistia, Bolsonaro, vacina e feminismo. Eu não ouvi o áudio inteiro. O que eu tenho é o registro do GCMais e o do próprio Amado Mundo, que publicou em 31 de agosto que ele "afirmou que estava fora do Brasil durante o segundo turno da eleição presidencial de 2022 e não esclareceu se votou ou não".
Guarde esta parte: ele não esclareceu se votou. Quem está fora do país pode votar no consulado. Pode justificar. Pode não fazer nada. Ele não disse qual dos três. E não disse em quem votaria se estivesse aqui.
Um mês antes, à BBC News Brasil, ele já tinha feito a mesma coisa. O texto da BBC, reproduzido pelo O Povo em 24 de agosto, diz que ele "também evita dizer em quem votou na eleição passada". O Terra, em 31 de agosto, fechou a conta assim: "não há registro público que permita afirmar que Cury tenha declarado apoio a Lula ou a Bolsonaro naquele pleito nem identificar em qual dos dois candidatos ele votou".
Três veículos diferentes, mesma resposta. Ninguém sabe em quem ele votou, porque ele nunca contou.
O que existe de registro, até 12 de setembro de 2026
Antes de 2026, nada
Eu procurei "Augusto Cury" junto com "Bolsonaro" em 2018, 2019, 2020, 2021 e 2022. Facada, pandemia, eleição, livros. Não achei uma frase dele elogiando ou criticando Bolsonaro nesses anos. Também não achei Bolsonaro citando Cury, lendo Cury ou recomendando livro de Cury, nem nas lives do Planalto, nem nas listas de leitura na prisão em 2026, que trazem Orwell, Machado de Assis e Lima Barreto.
Isso importa. Um bolsonarista disfarçado teria deixado rastro em quatro anos de governo. Um antibolsonarista disfarçado também. Ele não deixou nem um nem outro. O que ele publicava era livro de autoajuda e psiquiatria. O primeiro sinal de vida política dele é a carta aberta de 4 de março de 2026, onde escreveu: "Minha candidatura só será possível se houver um partido que me convide, pois desejo fazer uma política de Estado, e não de partidos".
O que ele disse sobre Bolsonaro em 2026, data por data
Aqui está a parte que os comentários usam. Tudo o que achei, em ordem de data, com a frase dele quando existe frase dele.
| Data | Onde | O que ele disse ou fez | Fonte |
|---|---|---|---|
| 13 de abril | Matinal, Amado Mundo | "Eu estava ausente do país na época dessa votação". Disse que "a vacina é vital" e defendeu anistia aos presos do 8 de janeiro | GCMais e Amado Mundo |
| 28 de abril | CNN Brasil | Sobre anistiar Bolsonaro: "Jair Bolsonaro eu analisaria. Muito provavelmente, se eu estivesse convencido, com uma equipe de pessoas, de que ele não cometeu crime o suficiente para estar encarcerado, eu provavelmente o libertaria. Mas eu não tenho segurança ainda, porque não tenho todos os elementos para esse julgamento." | CNN Brasil |
| 2 de maio | CB.Poder, do Correio Braziliense | Disse ter enviado a Bolsonaro, cerca de cinco semanas antes, vários livros dele, para ajudá-lo a ficar "mais protegido emocionalmente". Disse que "consideraria sinceramente" a anistia, sem "juízo de valor" formado | Correio Braziliense |
| maio | BH 24 Horas | "Vou analisar todos os detalhes para poder dizer se eu vou ou não anistiar, mas há chance." E: "O perdão presidencial é algo muito sério e não deve ser uma pauta eleitoreira irresponsável." | BH 24 Horas (veículo pequeno) |
| 12 de julho | Vídeo nas redes | Defendeu Michelle Bolsonaro depois de ela expor a briga com Flávio: "As mulheres poderosas não se calam!" | Blog do Amarildo (fonte pequena; não achei em veículo grande) |
| 27 de julho | MyNews | Negou aliança com Flávio, disse que não seria vice dele e cobrou "postura anticorrupção" | MyNews (título e resumo) |
| 18 de agosto | SBT News | Perguntado se houve tentativa de golpe no 8 de janeiro: "Difícil dizer. Você está me estimulando a entrar em uma seara em que eu não quero entrar porque eu quero pacificar a nação." | SBT News |
| 1º de setembro | Belo Horizonte | "Eu quero que Lula da Silva e Bolsonaro venham conosco, porque não é possível mais essa polarização que adoeceu a nação brasileira e dividiu as famílias." | Estado de Minas |
| 7 de setembro | CNN Prime Time | "As condenações foram realmente exageradas em muitos casos." Sobre soltar Bolsonaro, disse que precisaria analisar melhor antes de decidir | Amo Direito, Agenda do Poder, Metrópoles |
| 10 de setembro | Genial, na Faria Lima | Sobre apoiar Flávio num segundo turno: "Não ficaria neutro. Mas ele teria que provar que não é corrupto, teria que explicar o 'Dark Horse'. E ele teria que pegar o meu plano de governo, ir no cartório, fazer um registro e dizer que vai cumprir." Sobre Lula: "Eu não apoiaria, em hipótese alguma, Lula. Nem 0,01%" | O Globo, PE 360 |
Leia a tabela de cima a baixo e repare no padrão. Ele nunca chama a condenação de Bolsonaro de "injustiça" ou de "perseguição". As palavras dele são sempre "analisar", "juristas", "segurança jurídica", "há chance". A única frase com verbo forte é a da CNN de 28 de abril, "eu provavelmente o libertaria". E mesmo ela vem amarrada: "se eu estivesse convencido" e "não tenho segurança ainda".
Do outro lado, ele também nunca disse que Bolsonaro merece a pena. Perguntado na SBT se houve tentativa de golpe, fugiu da pergunta. Disse que não quer "entrar nessa seara". Para um bolsonarista, isso é pouco. Para um antibolsonarista, é demais.
A frase do livro
O detalhe que mais circula nos comentários é o livro. Vale explicar direito, porque a história é menor do que parece e maior do que o outro lado admite.
Em 2 de maio, no programa CB.Poder, Cury contou que tinha enviado a Bolsonaro, "há cerca de cinco semanas", vários livros dele. O objetivo, nas palavras do repórter, era ajudar o ex-presidente a se tornar "mais protegido emocionalmente" e resgatar o papel de "gestor de si mesmo" sob tensão. O Correio Braziliense registra ainda que Cury "revelou manter um contato de aconselhamento e apoio emocional com Bolsonaro".
Faça a conta: cinco semanas antes de 2 de maio dá fim de março de 2026. Bolsonaro tinha acabado de ir para a prisão domiciliar humanitária, autorizada por Alexandre de Moraes em 24 de março, por 90 dias, sem visita de político e sem conversa política. Cury mandou livro para um homem doente e preso. É um gesto. Um psiquiatra que escreve livro de autoajuda mandou livro de autoajuda. Não achei registro de Bolsonaro respondendo, agradecendo ou citando o livro.
Aproximação? Sim. Apoio político? Não é o que a frase diz. E ele mandou carta para Lula também, com apelo à "pacificação", segundo o Metrópoles de 17 de agosto. Não confirmei se a carta chegou.
A defesa da Michelle
Em 12 de julho, depois de Michelle Bolsonaro expor publicamente a briga com Flávio, Cury gravou um vídeo em defesa dela. O Blog do Amarildo registrou as frases: "A dor dela é a dor de milhões de dezenas de milhões de mulheres que precisam ter voz"; "Se ela colocou publicamente essa dor tem de ser respeitada. É o seu direito, é o direito de toda mulher revelar os seus sentimentos".
Aqui eu preciso ser honesto sobre a fonte. Só achei isso num blog pequeno. Não achei o vídeo original, não achei em veículo grande e não achei resposta de Michelle. Ela, aliás, gravou vídeo de apoio ao Flávio depois, a pedido do Bolsonaro. Se Cury esperava alguma coisa em troca da defesa, não veio.
E de novo o mesmo raciocínio: defender uma mulher que expôs uma briga de família é aproximação com o eleitor dela. Não é declaração de voto em ninguém.
O que o bolsonarismo disse sobre ele
Se Cury fosse aliado do bolsonarismo, o bolsonarismo teria tratado ele como aliado. Não tratou. Veja o que achei, sempre com quem disse, porque os comentários costumam colocar frase de assessor na boca do Flávio.
| Data | Quem disse | O que disse | Fonte |
|---|---|---|---|
| 31 de agosto | Valdemar Costa Neto, presidente do PL, à CNN | Cury é "zero de ameaça" para Flávio chegar ao segundo turno; o cenário do escritor é "muito difícil" | CNN Brasil |
| 31 de agosto | "Dirigentes partidários", segundo a CNN; "auxiliares" da campanha, segundo a Folha | A subida de Cury é "voo de galinha" | CNN Brasil e Folha |
| 1º de setembro | "Integrantes da campanha do PL", segundo o Agora RN | "Robôs localizados na Índia teriam sido utilizados para ampliar artificialmente a presença digital de Cury" | Agora RN |
| 2018 a 2026 | Jair Bolsonaro | Nada. Não achei nenhuma citação dele a Cury em nenhum ano | busca própria |
| 2026 | Flávio Bolsonaro | Nada. Não achei nenhuma citação pessoal dele a Cury, nem antes nem depois de 10 de setembro | busca própria |
Duas observações.
A primeira: o "voo de galinha" aparece num blog atribuído ao Valdemar pelo nome. A CNN, que é a fonte da entrevista, atribui a frase a "dirigentes partidários", sem nome. Eu fico com a CNN. Valdemar disse "zero de ameaça". O "voo de galinha" é de gente do partido que não quis assinar.
A segunda: os "robôs da Índia" são de "integrantes da campanha", sem nome. Flávio nunca disse isso. Cury respondeu no dia seguinte: "Não tem história de robô. Na verdade, são milhões de pessoas que acreditam na pacificação e estão cansadas desta polarização insana".
Agora pense no que esta tabela mostra. O partido de Bolsonaro chamou o crescimento dele de "voo de galinha" e a militância dele de robô indiano. O pai e o filho nunca falaram o nome dele em público, nem para elogiar, nem para atacar. Isso não é o tratamento que se dá a um aliado. É o tratamento que se dá a um concorrente que ainda não incomoda o bastante.
E depois de 10 de setembro, quando Cury cobrou do Flávio que provasse "que não é corrupto", não houve resposta. Procurei em Flávio, PL, Valdemar, Michelle, e também em Lula, PT e Gleisi. Nada publicado até o fechamento desta matéria. Silêncio dos dois lados.
O partido dele: Avante
A pergunta do título tem uma versão mais esperta, que é sobre o partido. "Ele pode nunca ter declarado voto, mas o partido dele apoiou fulano." Então vamos ao partido, ano por ano.
A filiação. Augusto Cury entrou no Avante em 5 de abril de 2026, um domingo, com uma postagem ao lado do presidente do partido, o deputado Luís Tibé. A Gazeta do Povo registrou a data e registrou que ele fez isso "no prazo final" da lei, que exige seis meses de filiação antes da eleição. Foi a primeira filiação partidária dele. A Gazeta diz que ele vinha sinalizando a candidatura "mesmo sem estar antes filiado a nenhum partido". Antes de fechar com o Avante, ele conversou com PSD, Republicanos, PSDB, Podemos, PMB e MDB.
2022. O Avante tinha lançado o deputado André Janones como pré-candidato. Janones desistiu em 4 de agosto de 2022 e declarou apoio a Lula. Dias depois, o partido entrou na coligação Brasil da Esperança, da chapa Lula e Alckmin, junto com PSB, Solidariedade, PSOL, Rede, Agir e Pros. Está no TSE. Eu contei essa história inteira na matéria sobre o PT, inclusive a saída de Janones do partido em março de 2026, dez dias antes de Cury entrar.
2018. No primeiro turno, o Avante estava na coligação "Brasil Soberano", com o PDT, apoiando Ciro Gomes. Ciro ficou em terceiro, com 12,47%. No segundo turno, eu procurei o Avante nas três listas de apoio partidário que abri: Poder360, Gazeta do Povo e Brasil 61, todas de 9 de outubro de 2018. O partido não aparece em nenhuma, nem do lado de Bolsonaro, nem do lado de Haddad. O PDT, sócio da coligação, foi com Haddad. A Wikipédia em inglês diz que o Avante, depois da eleição, "não foi para a oposição como o PDT, mas ficou neutro" em relação a Bolsonaro.
Então, sobre 2018, a resposta honesta é: não achei registro do Avante apoiando Bolsonaro no segundo turno. Também não achei apoiando Haddad. Se alguém escrever "o partido de Cury apoiou Bolsonaro em 2018", está escrevendo sem fonte. Eu não vou escrever.
O resumo do partido é este. Em 2018, Ciro no primeiro turno e ninguém confirmado no segundo. Em 2022, Lula. Em 2026, candidato próprio. Cury só participou da terceira. A régua que serve para o Avante serve para o PL, que já elegeu o vice do Lula em 2002 e a Dilma em 2010 e 2014, e eu mostrei isso na outra matéria. Partido troca de lado. Gente a gente julga pelo que faz.
Por que a pergunta importa agora: as pesquisas
Ninguém perguntava em quem Cury votou quando ele tinha 2%. A pergunta apareceu quando ele chegou a 11% e virou terceiro sozinho, no fim de agosto. E ela voltou com força nesta semana por um motivo diferente: ele caiu, e o segundo turno ficou apertado.
Duas pesquisas saíram entre quinta e sexta. As duas registradas no TSE.
Datafolha, divulgada na sexta, 11 de setembro. Registro BR-01833/2026. Campo de 8 a 10 de setembro, 2.002 entrevistas, margem de 2 pontos. Primeiro turno: Lula 39%, Flávio Bolsonaro 35%, Augusto Cury 6%. Depois vêm Caiado com 4%, Renan Santos com 3% e Zema com 2%. Na rodada anterior, de 1º a 3 de setembro, Cury tinha 8%. Caiu 2 pontos. Lula subiu 1 e Flávio subiu 2.
No segundo turno, o Datafolha testou Lula contra cada um. Lula 46% x Flávio 44%. Lula 45% x Cury 43%. Lula 46% x Caiado 41%. Lula 48% x Zema 39%. Foi a primeira vez que o Datafolha testou Lula contra Cury, e deu empate técnico, dentro da margem. Flávio contra Cury não foi testado.
AtlasIntel com a Bloomberg, divulgada na quinta, 10 de setembro. Registro BR-01452/2026. Campo de 4 a 9 de setembro, 5.000 entrevistas, margem de 1 ponto. Primeiro turno: Lula 43%, Flávio 37,4%, Cury 6,6%, Renan Santos logo atrás com 6,5%. Segundo turno: Flávio 46,4% x Lula 46,2%, empate no fio. Lula 43,8% x Cury 41,1%. A rejeição, segundo o Seu Dinheiro: Lula 52,5%, Flávio 49,6%.
| Instituto | Campo | Registro no TSE | Lula / Flávio / Cury no 1º turno | Lula x Cury no 2º turno |
|---|---|---|---|---|
| Datafolha | 8 a 10/9 | BR-01833/2026 | 39 / 35 / 6 | Lula 45 x Cury 43 |
| AtlasIntel/Bloomberg | 4 a 9/9 | BR-01452/2026 | 43 / 37,4 / 6,6 | Lula 43,8 x Cury 41,1 |
| PoderData/Aya | 6 a 9/9 | BR-04914/2026 | 38 / 36 / 10 | Cury 44 x Lula 43 |
| BTG/Nexus | 4 a 7/9 | BR-06790/2026 | 39 / 35 / 9 | Cury 45 x Lula 43 |
| Quaest | 3 a 6/9 | BR-01720/2026 | 36 / 29 / 8 | Lula 39 x Cury 35 |
Repare numa coisa esquisita e verdadeira. No primeiro turno, Cury está entre 6% e 10%, dependendo do instituto. No segundo turno contra Lula, ele empata ou ganha em quatro das cinco. Isso acontece porque, tirado o Flávio da disputa, o voto de quem não quer Lula vai para quem sobrou. É esse eleitor que faz a pergunta do título. Ele quer saber se, ao votar em Cury, está votando num bolsonarista de segunda mão ou num homem sem lado.
Agora a evolução dele no primeiro turno, só nas pesquisas que se repetiram:
Augusto Cury no 1º turno, em %, por rodada
BTG/Nexus, Quaest e Datafolha, agosto e setembro de 2026
Vou dizer com todas as letras, porque eu torço por ele e por isso mesmo não vou maquiar: ele caiu nas duas últimas. De 10 para 8 na Quaest. De 8 para 6 no Datafolha. O salto de 2 para 11 no fim de agosto foi real, o maior desta eleição, e a queda depois também é real. Ele mesmo atribuiu a estagnação a "haters" organizados, em declaração ao Money Times reproduzida pelo Seu Dinheiro. Pode ser. Mas o número é o número.
Para onde vai o voto dele
Esta é a parte que responde a pergunta do título de outro jeito. Se Cury sair da disputa, para onde vai o eleitor dele?
A Quaest perguntou. Entre os eleitores de Cury, 46% votariam em Flávio num segundo turno e 24% votariam em Lula. A BTG/Nexus perguntou também: 46% em Flávio, 23% em Lula e 29% não vão em nenhum dos dois ou não sabem.
| Instituto | Vai para Flávio | Vai para Lula | Nenhum ou não sabe |
|---|---|---|---|
| Quaest | 46% | 24% | o restante |
| BTG/Nexus | 46% | 23% | 29% |
O que isso diz sobre a pergunta "Cury apoiou o Bolsonaro?". Diz que o eleitor dele tem quase o dobro de chance de ir para o Flávio do que para o Lula. Mas diz também que um em cada quatro iria para o Lula, e que quase um em cada três não iria para ninguém. Um eleitorado bolsonarista não tem 24% de gente que votaria no Lula. Um eleitorado petista não tem 46% de gente que votaria no Flávio. O eleitorado de Cury é o que sobrou dos dois lados mais o que nunca teve lado. A Gazeta do Povo resumiu o perfil da Quaest no título: ele atrai o independente e não tira voto do Flávio.
É por isso que os dois lados atacam. O PT quer que ele pareça bolsonarista, para o eleitor de esquerda que está cansado do Lula não ir para ele. O PL quer que ele pareça petista, para o eleitor de direita cansado do Bolsonaro não ir para ele. Os dois têm o mesmo interesse: que ele tenha um lado. Ele insiste em não ter.
O TSE aprovou a chapa
Um fato de sexta que entra aqui como confirmação secundária, porque a página do TSE não abriu para mim e eu só tenho o título e o resumo. Na sexta, 11 de setembro, em sessão virtual, o TSE aprovou o registro da chapa Augusto Cury e Júlio Delgado, do Avante, e rejeitou a de Pablo Marçal. Ficaram 12 candidaturas a presidente. O título da nota do TSE é "Eleições 2026 têm 12 candidaturas na disputa pela Presidência da República". Até quinta, Cury e Marçal eram os dois registros pendentes.
Isso encerra uma dúvida que rodava nos comentários: se ele ia mesmo estar na urna. Vai. Falta o nome do ministro relator e o horário da decisão, que eu não consegui conferir na fonte primária.
O que eu penso, em primeira pessoa
Ele não é do Lula. Ele não é do Bolsonaro. E é exatamente isso que os dois lados não perdoam.
Um homem que passou quatro anos de governo Bolsonaro sem falar o nome de Bolsonaro, e quatro anos de governo Lula sem falar o nome de Lula, e que só entrou em partido aos 67 anos, cinco meses antes da eleição, não serve para nenhuma das duas máquinas. O PT precisa que ele seja de direita. O PL precisa que ele seja de esquerda. Ele responde que quer "Lula da Silva e Bolsonaro conosco". Para as duas torcidas, isso soa como traição.
Eu torço pelo Cury. Se ele não chegar ao segundo turno, eu voto no Flávio. Eu não voto em Lula. Isso não muda o que está escrito acima, porque o que está escrito acima tem fonte e data, e a minha torcida não tem nenhuma das duas.
O que eu tirei, e por quê
- "O Avante apoiou Bolsonaro em 2018." Não achei registro. Ficou de fora e não vai entrar até alguém me mostrar o documento.
- A visita do presidente da universidade onde Cury fez doutorado a Bolsonaro, em Orlando. É de fevereiro de 2023, é de outra pessoa e não diz nada sobre o voto de Cury. Está na lista de fontes, porque circula, mas não entrou no texto.
- A frase dos "juristas notáveis" na sabatina da Globo, CBN e Valor. Só achei em resumo de busca, sem a fonte aberta. Sem a frase inteira, não publico.
- A pergunta sobre Bolsonaro no Jornal Nacional de 29 de agosto. O Correio Braziliense lista os temas da entrevista e Bolsonaro não está entre eles. Não vi a íntegra. Ficou de fora.
Perguntas que chegam nos comentários
Cury votou em Bolsonaro?
Não se sabe. Perguntado sobre 2018 e 2022, ele disse que "estava ausente do país na época dessa votação" e não esclareceu se votou. Nunca declarou voto para presidente em nenhuma eleição.
Cury quer soltar Bolsonaro?
Ele nunca prometeu. O mais perto disso foi em 28 de abril, na CNN: "eu provavelmente o libertaria", mas "se eu estivesse convencido" e "não tenho segurança ainda". Em setembro, disse que precisaria analisar melhor antes de decidir.
O partido dele apoiou Bolsonaro?
Não achei registro. Em 2018, o Avante apoiou Ciro Gomes no primeiro turno e não aparece nas listas de apoio do segundo turno. Em 2022, apoiou Lula. Cury entrou no partido em abril de 2026.
Cury apoiou o PT?
Não. O partido dele entrou na chapa do Lula em agosto de 2022, quando ele não era filiado a nada. Ele entrou no Avante três anos e oito meses depois. Está na matéria irmã, com o registro do TSE.
Cury mandou livro para o Bolsonaro?
Sim, segundo ele mesmo, em entrevista ao Correio Braziliense em 2 de maio. Foram vários livros, enviados no fim de março, quando Bolsonaro estava em prisão domiciliar. Não achei resposta de Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro falou de Cury?
Não achei nenhuma frase dele sobre Cury, em nenhuma data. O "voo de galinha" e os "robôs da Índia" são de dirigentes e integrantes da campanha, sem nome. Valdemar Costa Neto disse que Cury é "zero de ameaça".
Cury vai apoiar Flávio no segundo turno?
Em 10 de setembro, disse que "não ficaria neutro", mas colocou três condições: Flávio provar que não é corrupto, explicar o filme Dark Horse e registrar em cartório o plano de governo de Cury. Para Lula, disse "nem 0,01%".
Cury está caindo nas pesquisas?
Sim. Foi de 10% para 8% na Quaest e de 8% para 6% no Datafolha. No segundo turno contra Lula, ainda empata ou ganha na maioria dos institutos.
Eu sou de direita e continuo sendo
E continuo sem aceitar conta errada, mesmo quando a conta errada ajuda o meu lado.
Cury não apoiou Bolsonaro. Cury não apoiou Lula. Cury não apoiou ninguém, e vai ter que decidir se isso é força ou fraqueza nos 22 dias que faltam.
Eu volto a cada passo, com fonte.







