O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mandou tirar do ar, na noite de quinta-feira, 8 de outubro de 2026, um vídeo de Janja e outro do perfil oficial de Lula contra Flávio Bolsonaro. Os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça entenderam que os dois vídeos diziam sobre Flávio coisas sem prova nenhuma. As decisões são liminares e ainda vão ao plenário do tribunal.
Fonte: CNN Brasil e Apucarana News, 9 de outubro de 2026.
O vídeo de Janja
Janja postou o vídeo no dia 6 de outubro, no Instagram dela, que tem cerca de 3,5 milhões de seguidores. Ele teve mais de 495 mil curtidas. Dizia que Flávio "quer que você trabalhe sete dias por semana", que acabaria com o Farmácia Popular, que o crime organizado "vai dominar o Brasil" e que, numa nova pandemia, haveria "covas abertas".
Quem decidiu foi o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques. Para ele, essas frases atribuíram a Flávio intenções e consequências "como fatos certos e sem lastro mínimo". Em palavras simples: ela falou como se fosse certo, sem nada que provasse.

O ministro fez uma separação. Criticar a posição de Flávio sobre a escala 6x1 é avaliação política e está liberado. Dizer que ele quer que você trabalhe sete dias por semana "é de outra natureza". Partes do vídeo sobre direitos das mulheres, armas e o governo anterior foram consideradas liberdade de expressão. O vídeo saiu inteiro porque as acusações sem prova eram o centro dele.
| O que a decisão manda | Detalhe |
|---|---|
| Prazo para apagar | 24 horas, com multa por dia de atraso |
| Republicar ou impulsionar | Proibido |
| Cópias do vídeo | O Instagram tem de apagar as idênticas e as alteradas |
| Registros | Guardar por 180 dias o alcance e o impulsionamento |
O vídeo de Lula: "Se Flávio vence, você perde"
O segundo vídeo saiu do perfil oficial do presidente. Dizia que, com Flávio, o eleitor perderia remédios gratuitos, aposentadoria, salário mínimo, o fim da escala 6x1 e a casa própria, e que "a milícia vai ter um amigo no cargo mais alto da República". Teve cerca de 795 mil curtidas, 92,4 mil comentários e 322 mil republicações.

Quem decidiu foi o vice-presidente do TSE, André Mendonça. Ele escreveu que não há "substrato fático mínimo" para dizer que um governo Flávio acabaria com esses direitos. Ou seja, não há fato que sustente isso. Mendonça apontou ainda uma "aparente contradição" com o plano de governo de Flávio, registrado no TSE, que prevê manter os programas sociais. E chamou a peça de "narrativa unitária, de acentuado caráter alarmista".

O prazo para Lula e para a coligação Brasil Pronto Pra Mais foi de 3 horas. O ministro não proibiu a frase "Se Flávio vence, você perde": o que caiu foi o conteúdo do vídeo. Ele também negou dois pedidos de Flávio, o de estender a ordem a cópias não identificadas e o de proibir conteúdos futuros.
O que o plano de Flávio diz de verdade
O plano de governo de Flávio Bolsonaro tem 76 páginas e está registrado no TSE. Foi nele que o ministro se apoiou para dizer que o vídeo de Lula contrariava o que o candidato propõe. A revista explicou o plano inteiro, capítulo por capítulo, e o PDF oficial está no fim da página: leia o plano de Flávio explicado.

O terceiro vídeo: Janones e Lindbergh
No mesmo dia, Mendonça mandou apagar um vídeo dos deputados André Janones e Lindbergh Farias. Gravado em frente ao Ministério da Fazenda, ele dizia que Flávio elevaria a aposentadoria para 70 anos (homens) e 65 (mulheres), desvincularia a aposentadoria do salário mínimo, criaria jornada de 12 horas em escala de sete dias e privatizaria a Petrobras.
O vídeo tinha mais de 6,8 milhões de visualizações. Para o ministro, as afirmações "não encontram respaldo concreto". O prazo foi de 3 horas, com multa de R$ 10 mil por dia em caso de republicação.
O que acontece agora
As três decisões são liminares: valem já, mas o plenário do TSE ainda vai confirmar. Lula, Janja e a coligação serão chamados para se defender, e a Procuradoria-Geral Eleitoral vai dar parecer. Flávio também pediu multa para Lula e para a coligação, e esse pedido será analisado depois. Procuradas pela CNN Brasil, as assessorias de Lula, de Janja e da coligação não tinham respondido até a publicação.

Minha opinião: quem tem proposta não precisa espalhar medo. Faltam 16 dias para o segundo turno.
Perguntas que chegam nos comentários
Por que o TSE mandou apagar o vídeo de Janja?
O ministro Kassio Nunes Marques entendeu que o vídeo atribuía a Flávio Bolsonaro intenções e consequências "como fatos certos e sem lastro mínimo", como a de que ele quer que o trabalhador trabalhe sete dias por semana.
O que dizia o vídeo de Lula que foi removido?
Era a peça "Se Flávio vence, você perde", que dizia que o eleitor perderia remédio grátis, aposentadoria, salário mínimo e casa própria. O ministro André Mendonça disse que não há "substrato fático mínimo" para isso.
A frase "Se Flávio vence, você perde" foi proibida?
Não. O ministro mandou apagar o vídeo, mas não proibiu o bordão.
A decisão é definitiva?
Não. São liminares, que valem já, mas ainda vão ao plenário do TSE.
Quando é o segundo turno?
Domingo, 25 de outubro de 2026.







