A campanha de Lula entrou no TSE, na quinta-feira, 8 de outubro de 2026, com uma ação para cassar a chapa de Flávio Bolsonaro. O pedido também quer tirar do ar o Instagram de Pablo Marçal, com cerca de 14 milhões de seguidores. O motivo principal é um vídeo em que Marçal usa uma ligação de 2016 entre Lula e o então prefeito do Rio, Eduardo Paes. A ligação é real: foi gravada pela Polícia Federal e divulgada pelo juiz Sergio Moro em março de 2016. O TSE ainda não decidiu.
Fonte: Folhapress, CartaCapital e O Antagonista, 9 de outubro de 2026.
O que o PT pediu
A ação é uma Aije, uma investigação judicial eleitoral. Ela pede:
| Pedido | Detalhe |
|---|---|
| Cassar a chapa de Flávio Bolsonaro | Por abuso dos meios de comunicação |
| Suspender o Instagram de Marçal | Cerca de 14,1 milhões de seguidores |
| Apagar as publicações | Em até 2 horas depois da notificação |
| Bloquear o site B22token | Se continuar no ar depois de 12 horas, pela Anatel |
| Tirar o perfil das recomendações | Que o Instagram pare de sugerir a conta de Marçal |
| Investigar Marçal | Possível ligação com o site de criptomoeda |
O argumento central: a campanha de Flávio "não informou ao TSE" que o perfil de Marçal virou conta oficial de campanha. Conta oficial não pode ser recomendada pelo algoritmo das redes, e o perfil de Marçal continua sendo recomendado. A ação caiu com a ministra Estela Aranha.
A campanha de Flávio respondeu à Folha: "Pablo Marçal não integra a estrutura da campanha de Flávio Bolsonaro, é um apoiador político publicamente declarado." Marçal anunciou o apoio em 29 de setembro, num evento ao lado do candidato.

O vídeo e a ligação de 2016
O vídeo de Marçal simula um telejornal e usa trechos de uma ligação de 7 de março de 2016 entre Lula e Eduardo Paes. A gravação faz parte dos grampos da Lava Jato, divulgados pelo juiz Sergio Moro em 16 de março de 2016, três dias antes de Lula ser nomeado ministro de Dilma. A ligação foi feita depois da condução coercitiva de Lula, em 4 de março.

A transcrição foi publicada pelo Terra no dia 17 de março de 2016. É esta, na ordem:
Lula: "Esses meninos da Polícia Federal e esses meninos do Ministério Público, eles se sentem enviado de Deus." Paes: "É, mas eles são todos crentes. Os caras do Ministério Público são crentes, né?" Lula: "É uma coisa absurda. Uma hora nós vamos conversar um pouco, porque eu acho que eu sou a chance que esse país tem de brigar com eles pra tentar colocá-lo no seu devido lugar."
Na mesma ligação, Paes fala do sítio de Atibaia: "Da próxima vez o senhor me para com essa vida de pobre, com essa tua alma de pobre, comprando esses barcos de merda, sitiozinho vagabundo." E depois: "O senhor é uma alma de pobre." Lula ri. Paes pediu desculpas na época, por ter chamado Maricá de "merda de lugar".

No dia seguinte à divulgação, o site Gospel Mais deu a manchete: "Paes e Lula explicitam desprezo por evangélicos". Isso foi há dez anos. Não é novidade. É história.
O que o PT contesta
O PT não nega a ligação. O que a ação contesta é a ordem das falas no vídeo. Segundo a coligação de Lula, uma frase de Lula sobre um procurador, dita em outra ligação, aparece no vídeo logo depois da fala sobre os crentes, com o letreiro "ele não gosta de evangélicos". A ação também diz que o vídeo atribui a Lula a fala sobre os pobres, que foi de Paes.
Pela transcrição do Terra, a expressão "filho da puta" aparece em duas ligações de Lula, mas nenhuma com Paes: uma com Jaques Wagner, sobre a OAB, e outra com Paulo Vannuchi, sobre um procurador da Lava Jato. É esse trecho que o PT diz ter sido colado na ligação com Paes.

A segunda parte do pedido: o site de criptomoeda
A ação também mira o B22token, um site lançado na terça-feira, 6 de outubro, que dá uma criptomoeda a quem publica conteúdo a favor de Flávio. O projeto foi divulgado por um perfil de crianças de Uganda com 12,9 milhões de seguidores, que apareceram em vídeo com camisetas "B22" pedindo voto no 22. Para o PT, isso pode ser compra de voto, prevista no artigo 334 do Código Eleitoral.
A campanha de Flávio disse que não conhece os responsáveis pelo site, negou qualquer ligação e afirmou que vai à Justiça para tirá-lo do ar.
O que Marçal disse
Procurado pela Folha, Marçal respondeu: "Desespero do PT já ultrapassou o ridículo. Eu fui candidato, sou um brasileiro livre e não devo satisfação pra quadrilha nenhuma." E disse que não recebeu notificação sobre nenhuma publicação.
Marçal está inelegível até 2032, por decisão do TSE, por causa dos concursos de cortes de vídeo com prêmio na campanha de 2024 em São Paulo.

O que acontece agora
As três pesquisas de segundo turno divulgadas nesta semana dão Flávio na frente: PoderData 53% a 47%, AtlasIntel 52,8% a 47,2% e Datafolha 52% a 48%. Faltam 16 dias para o dia 25. A ação está com a ministra Estela Aranha, sem decisão. Marçal, Flávio e a coligação serão chamados a se defender.
Minha opinião: a gente não precisa inventar notícia falsa sobre o PT. Só precisa contar a verdade, porque a verdade já fala mal o suficiente. Por isso é um absurdo eles fazerem isso. Não faz sentido nenhum.
Perguntas que chegam nos comentários
O PT pediu mesmo a cassação de Flávio Bolsonaro?
Sim. A campanha de Lula entrou com uma ação no TSE em 8 de outubro de 2026 pedindo a cassação da chapa e a suspensão do Instagram de Pablo Marçal.
A ligação entre Lula e Eduardo Paes é verdadeira?
Sim. Foi gravada pela Polícia Federal em 7 de março de 2016 e divulgada pelo juiz Sergio Moro. A transcrição foi publicada pela imprensa na época.
O que Lula disse na ligação?
Que os agentes da PF e do Ministério Público "se sentem enviado de Deus". Paes respondeu que "são todos crentes", e Lula disse: "É uma coisa absurda."
O que o PT diz que é falso no vídeo de Marçal?
A ordem das falas. Segundo a ação, uma frase de Lula sobre um procurador, de outra ligação, foi colocada logo depois da fala sobre os crentes.
O TSE já decidiu?
Não. A ação está com a ministra Estela Aranha.







