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Utilidade / 13 de setembro de 2026

Eu fui testar

Peça um número de 1 a 30 para a IA. Ela vai dizer 17. Eu fui descobrir por quê, e o que isso ensina sobre usar IA no trabalho

No reel de 7 de setembro eu mostrei o truque: o GPT escolhe 17, depois 23, e jura que foi aleatório. Fui atrás da explicação. Tem estudo de 1976, tem pesquisa com 200 mil pessoas, tem teste de 2026 com 1.798 sorteios. E tem o meu teste: 10 tentativas, 10 vezes o 17. O que isso ensina é simples: a IA não sorteia. Ela adivinha o que você esperaria ouvir.

Publicado
13 de setembro de 2026
Atualizado
13 de setembro de 2026
Editoria
Utilidade
Leitura
17 min
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12 citadas
Foto: William Warby / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
Foto: William Warby / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

No reel de 7 de setembro eu fiz um truque de mágica com o ChatGPT. Pedi: "escolha um número de 1 a 30". Ele respondeu 17. Pedi outro. Ele disse 23. Perguntei com base em que ele escolheu. Ele respondeu que foi aleatório.

Não foi. E eu prometi que ia descobrir o porquê.

Descobri. A explicação passa por um estudo de psicologia de 1976, por uma pesquisa com 200 mil pessoas, por um teste de 2026 com 1.798 sorteios feitos em quatro inteligências artificiais, e pelo meu próprio teste, feito hoje, 13 de setembro. A resposta curta: a IA não sorteia. Ela chuta o número que você esperaria ouvir. E isso muda o jeito de usar IA no trabalho.

O truque, do jeito que ele funciona

Abra qualquer chat de IA. Digite "escolha um número de 1 a 30". Na maior parte das vezes vai sair 17.

Troque a faixa. De 1 a 10, sai 7. De 1 a 100, sai 37 ou 47. De 1 a 50, sai 27.

Pergunte "por que 17?". A IA vai dizer que foi aleatório, ou que o 17 é primo, ou que "fica bem no meio". Qualquer uma dessas frases é inventada na hora. A IA não sabe por que disse 17. Ela só sabe que 17 era a palavra mais provável de sair depois da sua pergunta.

Vou mostrar o meu teste, depois explico de onde vem o 17, e no fim digo o que fazer quando você precisa de um sorteio de verdade.

Eu fui testar: 10 tentativas, 10 vezes o 17

Fiz o teste hoje no Duck.ai, o chat de IA do DuckDuckGo. Escolhi esse porque ele roda sem login e deixa trocar de modelo. O modelo padrão é o GPT-5.6 Luna, da OpenAI, a mesma empresa do ChatGPT. Tentei o ChatGPT oficial também, mas ele exigiu login e eu queria um teste que qualquer leitor pudesse repetir sem conta.

A regra foi uma só: conversa nova a cada pergunta, para a IA não lembrar da resposta anterior. Pergunta idêntica todas as vezes: "Escolha um número de 1 a 30."

RodadaModeloResposta
1GPT-5.6 Luna17
2GPT-5.6 Luna17
3GPT-5.6 Luna17
4GPT-5.6 Luna17
5GPT-5.6 Luna17
6GPT-5.6 Luna17
7GPT-5.6 Luna17
8GPT-5.6 Luna17
9GPT-5.6 Luna17
10GPT-5.6 Luna17

Dez de dez.

Aí repeti a sequência do reel na primeira conversa. "Outro número." Saiu 24 (no reel tinha saído 23; a IA muda de um dia para o outro, guarde isso). "Com base em que você escolheu esses números?" A resposta, palavra por palavra: "Escolhi de forma arbitrária, sem um critério específico, primeiro 17 e depois 24, apenas para variar."

Arbitrário. Dez vezes o mesmo número, e ela chama de arbitrário.

Troquei de modelo, para ver se era coisa só da OpenAI:

ModeloEmpresa1ª vez2ª vez
Claude Haiku 4.5Anthropic1717
Gemma 4Google1717
Mistral Small 4Mistral (França)2323

O Claude ainda explicou: "É um número interessante, primo, e fica bem no meio do intervalo." Não fica. O meio de 1 a 30 é 15. Mas a explicação soa bem, e é para isso que ela existe.

O Mistral foi o único que fugiu do 17. Fugiu para o 23. O mesmo 23 que apareceu no meu reel como "segundo número". Ou seja: o 23 é o segundo favorito da turma.

Mudei a faixa, de volta ao GPT-5.6 Luna. "De 1 a 10": 7. "De 1 a 100": 37. Exatamente o que os estudos previam. Chego neles já.

Para comparar, rodei um sorteio de verdade no meu computador, com o Python, dez vezes, de 1 a 30: 30, 29, 14, 12, 17, 25, 8, 11, 27, 5. Dez números diferentes. Nenhum repetido. É assim que aleatório se parece.

Eu não fui o primeiro. Isso é medido desde 2023

O truque do 17 virou moda em agosto e setembro de 2026, com posts no X, no Threads e no YouTube dizendo "peça um número de 1 a 30 e vai sair 17". Mas o fenômeno é medido há três anos.

Em outubro de 2023, Anand S, presidente da consultoria indiana Gramener, pediu a três IAs um número de 0 a 100, milhares de vezes, e contou. O GPT-3.5 respondia 42. Em abril de 2024 ele refez o teste: o GPT-3.5 tinha mudado para 47, o Claude 3 Haiku preferia 42 e o Gemini preferia 72. O TechCrunch cobriu em maio de 2024 com um título que resume tudo: "Modelos de IA têm números favoritos, porque acham que são pessoas."

Em junho de 2025, o site britânico The Register pediu a quatro IAs para "adivinhar um número de 1 a 50". ChatGPT, Claude Sonnet 4, Gemini 2.5 Flash e Llama 4, da Meta. As quatro responderam 27. Quatro empresas diferentes, quatro países, o mesmo número.

Um pesquisador da Telefónica, Javier Coronado-Blázquez, publicou em fevereiro de 2025 um estudo de 31 páginas só sobre isso. Testou várias IAs, várias faixas, várias temperaturas e vários idiomas. A conclusão dele, em uma frase: apesar de serem máquinas feitas para variar, "esses modelos frequentemente exibem respostas determinísticas quando pedem saída numérica aleatória". Determinístico quer dizer: mesma pergunta, mesma resposta.

O maior teste que eu achei foi feito na semana passada, entre 7 e 10 de setembro de 2026, por Nicolas Sitter. Ele automatizou 1.798 pedidos a ChatGPT, Gemini, Copilot e Google AI Mode, sempre em conversa nova, em cinco faixas diferentes.

85,3%das respostas de 1 a 30foram 17
97,5%das respostas de 1 a 10foram 7
13números diferentesem 360 pedidos de 1 a 100 (o sorteio honesto daria uns 97)
92,2%das respostas do Geminide 1 a 100 foram 42

Nicolas Sitter, 7 a 10 de setembro de 2026, 1.798 sorteios em 4 IAs

Outro teste, do usuário exmergo no GitHub, fez 10 mil chamadas ao GPT-4.1 pedindo um número de 1 a 100. O 37 e o 42 saíram 4 vezes mais do que deveriam. E aqui vem o detalhe que mais me impressionou: todos os múltiplos de 10 (20, 30, 40, até 100) saíram zero vezes. Em 10 mil tentativas. O 10 saiu uma vez. A IA foge de número redondo como gato foge de água.

Por que 17? A culpa é nossa

Agora a parte que eu achei mais bonita da apuração.

A IA responde 17 porque nós respondemos 17. Ela aprendeu lendo o que a humanidade escreveu na internet. E a humanidade, quando alguém pede "um número aleatório", tem os seus vícios.

Em 1976, dois psicólogos da Universidade Yale, Michael Kubovy e Joseph Psotka, publicaram um estudo com um título que diz tudo: "A predominância do sete e a aparente espontaneidade das escolhas numéricas". Eles pediram a 558 pessoas um número de 0 a 9. Se fosse sorteio, cada número sairia 10% das vezes. O 7 saiu 28%.

Aí eles fizeram um truque. Pediram um número "na casa dos 20". Adivinha: 27, escolhido por 27,7% das pessoas. O 7 virou 27. Pediram na casa dos 70: o 77 caiu para 15,5%, porque dígito repetido "parece pouco aleatório". E quando o pesquisador citava o 7 como exemplo antes de perguntar, o 7 caía para 16,6%: a pessoa evitava, para não parecer que copiou.

A conclusão dos dois, há cinquenta anos: a pessoa não sorteia. Ela escolhe o número que vai parecer sorteado. Nem muito no meio, nem na ponta, nem redondo, nem par, nem repetido. Sobra o 7. Na casa dos 10, sobra o 17. Na casa dos 20, o 23 ou o 27. De 1 a 100, o 37.

Em 2007, o blog Cognitive Daily fez uma enquete com 347 leitores: "um número de 1 a 20". O 17 saiu 18% das vezes; o esperado era 5%. Quando o autor tirou o 17 da conta, a preferência por ímpar sumia. O 17 sozinho explicava quase toda a distorção. É enquete de blog, não estudo, mas bate com o resto.

E em março de 2024, o canal Veritasium, de Derek Muller, fez a maior pesquisa de número aleatório já registrada: 200 mil pessoas, "escolha um número de 1 a 100". Os mais escolhidos: 7, 37, 73 e 77. Quando ele pedia "o número que os outros menos escolheriam", 37 e 73 empataram na frente. Os menos escolhidos: 90, 30, 40, 70, 80 e 60. Os redondos. Os mesmos que a IA nunca diz.

Isso é o que a IA faz com tudo, não só com número. Ela lê milhões de textos onde alguém pediu "um número qualquer" e alguém respondeu. Percebe que 17 aparece mais. E na hora de responder, escolhe a palavra mais provável. Como 17 já era o favorito humano, com uma vantagem pequena, a IA transforma a vantagem pequena em quase certeza.

Como a IA "escolhe": ela não escolhe

Vou explicar sem jargão, porque é isso que importa para o trabalho.

Um chat de IA é uma máquina de completar frase. Você escreve "escolha um número de 1 a 30" e ela calcula, para cada palavra possível, a chance de ser a próxima. Baseado em tudo que leu. O "17" fica com a maior fatia. O "23", com a segunda. O "30", com quase nada.

Depois disso, vem um detalhe técnico chamado temperatura. É um botão que os programadores usam. Em temperatura zero, a máquina pega sempre a fatia maior: 17, 17, 17. Em temperatura alta, ela sorteia entre as fatias, mas com peso: o 17 continua tendo a maior chance, só não é mais certeza. É por isso que os estudos com temperatura alta ainda acham o 17 na frente, só que com 85% em vez de 100%.

E o sorteio da temperatura quem faz é o computador, com um gerador de números que precisa de uma "semente" (um número de partida). Semente igual, resultado igual. Nada disso é a IA "pensando" num número. A IA não tem dado dentro dela. Tem tabela de probabilidade.

No ChatGPT, no Gemini e no Claude que você usa no celular, você não controla a temperatura nem a semente. Só controla a pergunta. Guarde isso também, porque é a saída.

Tem mais um ingrediente. Depois de treinada lendo a internet, a IA passa por uma segunda escola, em que humanos avaliam as respostas e dizem qual preferem. Um estudo de outubro de 2025, chamado "Verbalized Sampling", mostrou que essa segunda escola piora o problema: os avaliadores preferem a resposta "típica", e a IA aprende a dar sempre a resposta típica. O nome técnico é mode collapse, "colapso para a moda", em que moda é o valor mais comum. Um professor da Universidade de Illinois, Daniel Kang, disse ao The Register exatamente isso: o treino com avaliação humana é o suspeito número um.

"Com base em que você escolheu?" A IA vai inventar

A parte mais importante do reel não era o 17. Era a pergunta de depois.

Quando você pergunta "por que 17?", a IA não vai consultar a memória de como escolheu, porque não existe essa memória. Ela vai completar a frase de novo. E a continuação mais provável para "por que você escolheu 17?" é uma explicação plausível: "foi aleatório", "é primo", "fica no meio".

No meu teste o Claude disse "fica bem no meio do intervalo". Não fica. O GPT disse "de forma arbitrária, apenas para variar", depois de repetir o mesmo número dez vezes. Nenhuma das duas explicações é mentira no sentido humano. É texto que combina com a pergunta. A IA não tem acesso ao próprio motivo, porque o motivo é uma tabela de probabilidade, e a tabela não fala.

Isso vale para qualquer "por que você fez isso?" que você faça a uma IA. Ela responde o que uma pessoa responderia. Nem sempre é o que aconteceu.

Dá para consertar em 2026?

Fui atrás disso. Em 2026, nenhuma das grandes (OpenAI, Google, Anthropic) faz a IA sortear de verdade sozinha quando você pede "escolha um número". O teste de Sitter, da semana passada, não achou sinal de que ChatGPT, Gemini, Copilot ou Google AI Mode acionem um gerador de verdade por conta própria.

O que existe é o seguinte: algumas interfaces têm uma ferramenta de código. O ChatGPT com login tem, o Claude tem, o Gemini tem. Se você pede explicitamente "rode um código Python que sorteie um número de 1 a 30", a IA escreve o código, o computador roda, e o número que volta é do gerador do computador, não da tabela de probabilidade. O site Semsway mostrou isso em 27 de agosto: pedido direto, 17; pedido com Python, 4.

Mas tem uma pegadinha, e eu caí nela de propósito para mostrar. O Duck.ai, onde fiz meu teste, não tem ferramenta de código. Mandei assim mesmo: "Execute este código Python e me mostre só o resultado: import random; print(random.randint(1, 30))".

A resposta foi 17.

A IA não rodou nada. Ela "imaginou" o resultado de um código que sorteia número. E o resultado imaginado é o mesmo favorito de sempre. Sem ferramenta de verdade, pedir Python só muda a fantasia, não o número.

Como saber se rodou de verdade? Nas interfaces que têm ferramenta, aparece um sinal: uma caixinha com o código, um "analisando", um ícone de execução. Se a resposta vem seca, só o número, desconfie.

Onde isso morde no trabalho

Você pode achar que isso é curiosidade de bar. Não é. Eu vejo gente usando IA para sortear todo dia. Alguns exemplos que já passaram pela minha mesa:

  • Sorteio de promoção no Instagram. "Escolha um número de 1 a 340 para eu ver quem ganhou." Se a IA tem favorito, quem comentou na posição do favorito tem vantagem. E se alguém descobrir o padrão, o sorteio está viciado.
  • "Escolha um cliente aleatório para eu ligar." A IA vai escolher o mesmo tipo de nome, ou a mesma posição da lista, toda vez. Sua pesquisa de satisfação vai ouvir sempre as mesmas pessoas.
  • Amostra para auditoria. O contador pede "sorteie 20 notas fiscais das 500". Se o sorteio tem preferência, a amostra não representa o todo, e a auditoria não vale.
  • Senha ou PIN. "Me dá um PIN de 4 dígitos." A IA vai preferir dígitos "que parecem aleatórios", como 7 e 3, e evitar repetição. Um atacante que sabe disso testa menos combinações.
  • Ordem de apresentação, divisão de grupos, qual anúncio testar primeiro. Todo caso em que você quer que a sorte decida, a IA vai decidir com o vício dela.

O ponto é maior que número. Sempre que você pede à IA algo que precisa de imparcialidade mecânica, ela entrega o que parece imparcial. E parecer não serve para sorteio, não serve para amostra, não serve para senha.

O que fazer no lugar

Cinco regras que eu uso.

  1. Sorteio simples: use o que já existe. A função ALEATÓRIOENTRE(1;30) no Excel ou no Google Planilhas. O site random.org. O app de sorteio do celular. A ferramenta de sorteio do próprio Instagram. Tudo isso usa gerador de verdade.
  2. Se quer usar a IA, peça o código e confira se rodou. "Rode um código Python que sorteie um número de 1 a 30 e me mostre o código e o resultado." Se não aparecer o código executando na tela, o número é chute.
  3. Amostra para auditoria ou pesquisa: peça à IA a fórmula ou o script, rode na sua planilha, e anote a semente (o número de partida). Assim qualquer pessoa consegue repetir o seu sorteio e chegar ao mesmo resultado. Isso é o que auditor pede.
  4. Senha: nunca no chat. Use o gerador do navegador ou do gerenciador de senhas. Além do vício de número, tudo que você digita num chat pode ficar guardado.
  5. Toda vez que a IA explicar por que escolheu algo, trate como texto, não como confissão. Se a explicação importa (uma decisão de negócio, um ranking, uma triagem), peça o critério antes de pedir a escolha, e confira se a escolha seguiu o critério.

E a regra por trás de todas: a IA prevê texto. Sortear é trabalho de máquina de sortear. São ferramentas diferentes, e a IA é ótima em uma delas.

A resposta, sem enrolar

Por que a IA diz 17? Porque, quando alguém pede um número de 1 a 30, a humanidade tende a dizer 17, e a IA aprendeu com a humanidade. Ela pegou uma preferência de 18% e transformou em 85%, porque o trabalho dela é chutar a resposta mais provável.

Por que ela diz que foi aleatório? Porque "foi aleatório" é a frase mais provável depois de "por que você escolheu?". Ela não tem como saber o motivo real.

O que isso ensina sobre usar IA no trabalho? Que a IA é uma máquina de "o que uma pessoa diria aqui". Para escrever, resumir, traduzir, organizar e sugerir, isso é ouro. Para sortear, amostrar, gerar senha e decidir com imparcialidade, isso é veneno. Saber a diferença é a primeira coisa que separa quem usa IA de amador de quem usa de profissional.

Perguntas que chegam nos comentários

É verdade que o ChatGPT sempre escolhe 17 de 1 a 30?

Quase sempre, não sempre. No teste de Nicolas Sitter, de setembro de 2026, o 17 saiu em 85,3% dos pedidos de 1 a 30 feitos a ChatGPT, Gemini, Copilot e Google AI Mode. No meu teste com o GPT-5.6 Luna, saiu 10 vezes em 10. O Mistral respondeu 23.

Por que a IA gosta do 17 e do 7?

Porque as pessoas gostam. Um estudo de Yale de 1976 mostrou que 28% das pessoas dizem 7 quando pedem um número de 0 a 9. A IA aprendeu lendo textos humanos e amplificou essa preferência para mais de 90%.

A IA está mentindo quando diz que foi aleatório?

Não no sentido humano. Ela não tem acesso ao motivo da escolha, porque o motivo é uma tabela de probabilidade. Quando você pergunta por quê, ela escreve a explicação mais provável, como "foi aleatório" ou "é primo".

Se eu pedir para ela usar Python, resolve?

Só se a interface tiver ferramenta de código de verdade e você vir o código rodando. No Duck.ai, que não tem ferramenta, pedi para "executar" um código de sorteio e a resposta foi 17 de novo. A IA imaginou o resultado.

Posso usar a IA para sortear ganhador de promoção?

Não desse jeito. Use a ferramenta de sorteio do Instagram, o random.org, a função ALEATÓRIOENTRE da planilha ou um app de sorteio. Se quiser usar IA, peça o código, confira que rodou e guarde a semente para poder repetir.

Isso muda em 2026 com os modelos novos?

Não mudou. Em setembro de 2026, ChatGPT, Gemini, Copilot e Google AI Mode continuam com número favorito quando o pedido é "escolha um número". O que mudou é que as interfaces pagas têm ferramenta de código, e aí o sorteio de verdade fica a um pedido explícito de distância.

Você já usou IA para sortear alguma coisa? Me conta nos comentários que eu te digo se o sorteio valeu.

Eu volto a cada passo, com fonte.

Fontes desta materia

  1. TechCrunch, AI models have favorite numbers, because they think they're people, 28/05/2024
  2. Gramener, We Experimented with 3 LLMs to Know Their Favorite Numbers, 19/04/2024
  3. The Register, AIs have a favorite number, and it's not 42, 30/06/2025
  4. Coronado-Blázquez, Deterministic or probabilistic? The psychology of LLMs as random number generators, arXiv, 27/02/2025
  5. Nicolas Sitter, Pick a Number Between 1 and 100 (2026): 360 AI Draws, 13 Distinct Answers, 07 a 10/09/2026
  6. exmergo, ChatGPT guesses between 1 and 100, 10 mil chamadas ao GPT-4.1
  7. Kubovy e Psotka, The predominance of seven and the apparent spontaneity of numerical choices, Journal of Experimental Psychology: Human Perception and Performance, 1976
  8. Veritasium, Why is this number everywhere?, 28/03/2024
  9. Cognitive Daily (ScienceBlogs), Is 17 the most random number?, 05/02/2007
  10. Ian Leslie, Why Are LLMs Fixated On the Number 7?, 21/10/2025
  11. Semsway, Asking the Right Question: Why ChatGPT Picked 17, 27/08/2026
  12. Verbalized Sampling: How to Mitigate Mode Collapse and Unlock LLM Diversity, arXiv, out/2025